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Atualizado às: 31 de maio, 2005 - 17h10 GMT (14h10 Brasília)
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ONU critica prisão de agentes humanitários no Sudão
Paul Foreman
Foreman foi acusado de falsificação de um relatório sobre estupro
O enviado especial da ONU para o Sudão, Jan Pronk, criticou a prisão de agentes humanitários no país e a atuação da mídia local contra as agências internacionais de ajuda.

"A organização Médicos Sem Fronteiras já salvou a vida de muitos sudaneses e de crianças. O que eu desaprovo é a campanha difamatória nos jornais do país contra pessoas que vieram até aqui para salvar vidas", disse Pronk.

Nesta terça-feira, autoridades do Sudão prenderam Vincent Hoedt, coordenador da seção holandesa da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) na região de Darfur, depois de já terem detido o chefe da ONG no país, Paul Foreman, acusado de espionagem e de divulgar informações falsas.

Hoedt foi levado para a capital do Sudão, Cartum. Ele ainda deve receber acusações formais, mas a ONG Médicos Sem Fronteiras acredita que a prisão tenha acontecido pelos mesmos motivos alegados contra Foreman.

Estupro

Foreman foi solto sob fiança, e seu julgamento ainda não foi marcado. Se condenado, ele pode pegar até três anos de prisão.

A Procuradoria do Sudão disse que Foreman foi preso por não ter repassado as evidências nas quais um relatório que detalha os casos de estupro em Darfur se baseia.

O chefe da MSF disse que "privilégio médico" e confidencialidade ao paciente não permitiam que ele entregasse os documentos exigidos pelas autoridades. Mesmo assim, a procuradoria-geral disse ter chegado à conclusão de que o relatório é falso.

Em declaração, a organização Human Rights Watch disse que a prisão dos dois agentes da MSF mostra até onde o governo do Sudão estava preparado a ir para silenciar as críticas e negar sua responsabilidade sobre as atrocidades de Darfur.

Recentemente, a mídia do país passou a publicar reportagens alegando que agências internacionais fabricavam relatórios de estupro.

Martin Plaut, correspondente da BBC, disse que agentes humanitários receberam ameaças após a divulgação do relatório.

O documento, publicado em março, é baseado no tratamento de 500 mulheres em um período de 4,5 meses em Darfur e detalha cerca de 300 desses casos, com muitos escritos como depoimentos de testemunhas.

Estupro é um tema sensível para o governo do Sudão.

A ONG MSF diz ter uma presença significativa em Darfur, com mais de 300 funcionários internacionais e 3 mil locais que tratam cerca de 1 milhão de pacientes.

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