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Atualizado às: 18 de junho, 2005 - 11h08 GMT (08h08 Brasília)
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Europeus trocam farpas depois de fracasso da cúpula
Jack Straw e Tony Blair
Grã-Bretanha se recusou a abrir mão de reembolsos
Líderes europeus trocaram acusações depois do fracasso da reunião de cúpula da União Européia, em que foram discutidos o orçamento e o sistema de subsídios agrícolas do bloco.

O chanceler alemão Gerhard Schroeder disse que a teimosia britânica e holandesa são responsáveis por uma das mais graves crises já atravessadas pela União Européia.

O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, demonstrou tristeza mas afirmou que o fracasso pode significar um momento de mudanças.

O atual presidente da União Européia, o primeiro-ministro de Luxemburgo Jean Claude Juncker, se disse envergonhado quando os países mais pobres, recém-integrados ao bloco, ofereceram abrir mão de alguns benefícios para que o acordo fosse fechado.

A reunião de cúpula fracassou depois que a Grã-Bretanha se recusou a abrir mão do reembolso que recebe de parte de suas contribuições ao orçamento do bloco.

O governo britânico exigiu que, em contrapartida, fosse revisto também o sistema de subsídios aos produtores agrícolas da UE - o que a França se recusa a fazer.

Segundo o correspondente da BBC em Bruxelas, William Horsley, as recriminações marcam talvez a mais profunda e espetacular briga dentro do bloco.

O acordo para o orçamento fracassou apenas algumas semanas depois de franceses e holandeses terem se recusado, em referendo, a ratificar a Constituição Européia.

Grã-Bretanha é 'patética'

O fracasso das negociações abriu caminho para a troca de acusações, com França, Alemanha e Luxemburgo criticando países do bloco.

O presidente francês, Jacques Chirac, disse que o comportamento britânico foi "patético", acrescentando que ficou chocado com a "arrogância de vários países ricos" nas negociações.

Schroeder disse que a reunião fracassou por causa da "atitude totalmente inaceitável" da Grã-Bretanha e da Holanda.

A Grã-Bretanha se defendeu das críticas com o argumento de que não foi o único país a rejeitar o orçamento.

Em entrevista à BBC neste sábado, Jack Straw disse que está consternado mas otimista.

"Em muitos aspectos, foi um dia triste para a Europa. Mas deste dia também sai uma oportunidade para se reconectar."

Ele disse ainda que a Grã-Bretanha vai assumir a responsabilidade de liderar o debate sobre o futuro da UE quando assumir a presidência rotativa do bloco, no mês que vem, mas reconheceu que a tarefa será difícil.

"Isso vai ser visto como um momento de mudanças na UE. Às vezes, para assegurar as mudanças em democracias, é preciso que haja um choque", disse ele.

Quando as negociações fracassaram, 10 dos novos membros do leste europeu ofereceram abrir mão de parte do dinheiro recebido em uma tentativa de salvar um acordo, mas a oferta foi em vão.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, argumenta que o reembolso é necessário para compensar as distorções causadas pelos subsídios agrícolas, dos quais a França é a maior beneficiada.

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