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Atualizado às: 13 de junho, 2005 - 18h08 GMT (15h08 Brasília)
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Abstenção alta invalida referendo sobre inseminação
O presidente Carlo Azeglio Ciampi deposita seu voto
Presidente Carlo Azeglio Ciampi foi um dos primeiros a votar no referendo
O referendo italiano sobre leis para a fertilização artificial não conseguiu obter 50% de comparecimento dos eleitores - percentual mínimo previsto na lei do país para que fosse considerado válido.

Números apresentados pelo ministério do Interior mostram que cerca de 24% dos eleitores italianos foram às urnas no referendo, que durou dois dias.

Acredita-se que o comparecimento foi influenciado tanto por um pedido de abstenção feito pela Igreja Católica, apoiado pelo papa Bento 16, quanto pela apatia dos eleitores.

No referendo, os italianos opinaram se aprovavam ou não propostas de emendas à lei de inseminação artificial, consideradas muito rígida por alguns especialistas italianos.

A lei proíbe doações de óvulos e de esperma e também o exame de embriões para detectar possíveis doenças.

Ela também impõe um limite de criação de apenas três embriões por tratamento, e estabelece que todos os três sejam implantados no útero ao mesmo tempo.

Muitos casais que se submetem a tratamento de fertilização artificial têm que sair da Itália para procurar ajuda médica no exterior.

A legislação proíbe pesquisas com embriões.

A ministra de Oportunidades Iguais, Stefania Prestigiacomo, a única integrante do governo a fazer campanha ativamente pela mudança na lei, expressou uma preocupação de que uma derrota poderia pôr em perigo as leis italianas sobre aborto.

Os italianos legalizaram o divórcio e o aborto em dois referendos que marcaram época, em 1974 e 1981.

Pope
O papa Bento 16 não aprovava as mudanças propostas e apoiou a abstenção no referendo

Nos dois casos, as mudanças foram vistas como sintomáticas do declínio da influência da Igreja Católica.

Políticos

No domingo, vários líderes italianos desafiaram o pedido da Igreja Católica e foram votar.

Um dos primeiros eleitores a comparecer aos locais de votação foi o presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi.

O líder da oposição, Romano Prodi, e o vice-primeiro-ministro, Gianfranco Fini, também votaram acompanhados de suas famílias.

Até o momento, não havia no país regulamentos sobre bioética, e mulheres de 60 anos estavam sendo encorajadas a engravidar.

O correspondente da BBC em Roma, David Willey, disse que agora a legislação mudou para o outro extremo.

As cidades da Itália estão cheias de cartazes pedindo a católicos que se afastassem dos locais de votação.

Muitos eleitores, no entanto, dizem que estão irritados com a interferência da Igreja no processo democrático.

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