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Atualizado às: 25 de abril, 2005 - 12h01 GMT (09h01 Brasília)
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Para Putin, fim da URSS foi catástrofe geopolítica
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante discurso no Parlamento
Putin alertou contra desrespeito aos direitos das minorias russas
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu o colapso da União Soviética como “a maior catástrofe geopolítica” do século 20.

Em seu discurso anual no Parlamento, que foi transmitido ao vivo pela TV, Putin disse que o desmantelamento da URSS em 1991 foi “um drama de verdade” que deixou milhões de russos de fora da Federação Russa.

Putin também cobrou que sejam respeitados os direitos das minorias russas em países que faziam parte da URSS e agora foram assimilados por entidades como a União Européia e a Otan, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos.

É o caso da Estônia e da Letônia, países bálticos que foram integrados à UE no ano passado e possuem minorias russas de tamanho considerável.

Direitos dos russos

“Deixe-me lembrá-los de como começou a história da Rússia moderna”, disse Putin aos parlamentares.

“Em primeiro lugar, deve ser reconhecido – e eu já disse isso antes – que o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século”, continuou o presidente russo.

“E, para o povo russo, isso se tornou um drama de verdade. Dezenas de milhões de nossos cidadãos e companheiros russos se viram fora da Federação Russa.”

Em seguida, Putin disse que “o tema do apoio internacional para garantir os direitos dos compatriotas russos no exterior continua sendo muito importante”.

“E isso não é algo sujeito a barganhas políticas ou diplomáticas”, afirmou.

“Nós contamos que os novos membros da Otan e da União Européia que faziam parte do espaço soviético mostrem seu respeito e compromisso com os direitos humanos, incluindo os das minorias nacionais”, disse Putin.

“As pessoas não têm o direito de exigir que os outros observem os direitos humanos, se elas próprias não os respeitam, observam ou podem garantir.”

Democracia

Putin também disse que a Rússia precisa se transformar em um país “livre e democrático”.

Mas ele ressaltou que o país “vai decidir por si mesmo a velocidade, os termos e as condições de seu caminho rumo à democracia”.

“Somos uma nação livre, e nosso lugar no mundo moderno vai ser definido apenas pelo quanto nós formos bem-sucedidos e fortes”, disse Putin.

O presidente russo disse ainda que os cidadãos do país que guardam dinheiro no exterior deveriam ser encorajados a repatriar estes recursos.

Ele defendeu a imposição de um imposto de 13% sobre todas as rendas não declaradas.

“As autoridades tributárias não têm o direito de aterrorizar as empresas”, disse Putin.

Cobranças maciças de impostos retroativos causaram sérios danos à Yukos, a maior empresa petrolífera do país. O tratamento dado à empresa causou alarme a muitos investidores ocidentais.

Putin também defendeu a adoção de “abordagens radicalmente novas” para combater o terrorismo, que, em sua opinião, continua sendo uma ameaça “muito forte” na Rússia.

“No momento em que mostrarmos fraqueza ou falta de coragem, nossas perdas serão incomensuravelmente maiores”, disse o presidente russo aos parlamentares.

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