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Atualizado às: 30 de março, 2005 - 10h01 GMT (07h01 Brasília)
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Conflito no Sudão já fez mais de 300 mil mortos, diz relatório
refugiados
Refugiados de Darfur acusam milícias de estupro, assassinato e outros crimes
Mais de 300 mil pessoas já teriam morrido por causa do conflito na região de Darfur, no Sudão, de acordo com um relatório encomendado por parlamentares britânicos.

O número seria quatro vezes maior do que o admitido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que computaria apenas as mortes ocorridas em campos de refugiados, ocorridas entre março e outubro do ano passado.

"A incompetência mundial para proteger a população de Darfur das atrocidades cometidas pelo seu próprio governo é um escândalo”, disse Tony Baldry, chefe da comissão parlamentar britânica que encomendou o relatório.

Os dados computados pelo relatório se referem a um total de dois anos e incluem mortes por fome, doenças ou diretamente pelas milícias árabes.

Sanções

Na terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o uso de sanções contra os responsáveis pelas atrocidades em Darfur.

A proposta americana, aprovada por 12 votos a 0, com abstenções de Rússia, China e Argélia, também pretende endurecer o embargo de armas ao país.

Será imposto o congelamento dos bens e a proibição de viagens a quem for considerado culpado de prejudicar o processo de paz em Darfur.

A França deve ainda pressionar por uma outra votação para que os suspeitos de terem cometido crimes de guerra sejam julgados em Haia.

Os Estados Unidos se opõem ao Tribunal Penal Internacional e podem vetar a resolução francesa.

A resolução americana diz que o governo sudanês deve informar ao Conselho de Segurança se decidir enviar equipamentos militares a Darfur.

O embaixador sudanês na ONU criticou a resolução, dizendo que o conselho "não entende a história e a cultura do Sudão".

Ele também disse que a medida pode piorar a situação na região.

Janjaweed

Dezenas de milhares de pessoas foram mortas em uma rebelião que assolou a região de Darfur por mais de dois anos.

A ONU diz que o Sudão forneceu armas a milícias árabes conhecidas como Janjaweed para que elas lutassem contra os rebeldes.

Os Janjaweed são acusados de estupros, assassinatos e saques.

O Sudão admite ter fornecido armas a algumas milícias para combater a rebelião, mas nega qualquer vínculo com os Janjaweed, a quem chama de "foras da lei".

O Sudão prendeu e condenou um pequeno número de integrantes dos Janjaweed por crimes em Darfur, mas não fez avanços significativos para desarmar as milícias árabes, como determinam as resoluções do Conselho de Segurança.

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