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Ameaçados, funcionários da ONU deixam Darfur | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os funcionários estrangeiros das Nações Unidas (ONU) na região de Darfur, no oeste do Sudão, estão se retirando da área por causa de ameaças feitas por milícias pró-governo. O enviado da ONU ao Sudão, Jan Pronk, disse à BBC que as ameaças começaram porque as autoridades em Darfur estavam tentando desarmar a milícia Janjaweed, que é acusada de matar e estuprar moradores locais e de forçar dois milhões de pessoas a deixarem suas casas. O governo sudanês nega ligações com a milícia Janjaweed, mas admite ter armado alguns milicianos. Cerca de 30 funcionários estrangeiros foram retirados da capital do Estado de Darfur Oriental, El Geneina. Comboios saqueados A decisão da ONU é tomada poucas semanas depois que a organização humanitária Oxfam advertiu que a comunidade internacional não está tomando medidas suficientes para melhorar a situação de segurança em Darfur. Pronk afirmou que, além das ameaças aos funcionários, comboios levando ajuda humanitária já foram saqueados. A ONU está discutindo com as autoridades em Darfur como resolver a situação e também tenta contatar os milicianos. Segundo Pronk, a situação em geral está melhorando em Darfur como um todo, mas algumas áreas são tão críticas que operações humanitárias tiveram que ser suspensas. "O governo de Darfur Oriental finalmente começou a agir e disse que estes milicianos deveriam devolver as armas ao governo que eles receberam há muito tempo", afirmou o enviado da ONU ao Sudão. A maioria dos 2 milhões de desabrigados de Darfur vive em acampamentos de refugiados. Nos últimos 18 meses, a ONU estima que pelo menos 180 mil pessoas morreram em Darfur vítimas de doenças e desnutrição. Não se sabe quantas pessoas morreram em incidentes violentos em dois anos de conflito. Um relatório da ONU divulgado em meados deste ano concluiu que embora a matança em Darfur não chegue a se caracterizar como genocídio, assassinatos, tortura, desaparecimentos e violência sexual eram realizados de maneira sistemática e generalizada e podem ser considerados crimes contra a humanidade. |
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