|
Soldado americano é condenado por tortura no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O soldado americano Charles Graner, acusado de liderar abusos contra prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, foi julgado culpado das acusações por uma Corte Militar no Texas. Charles Graner, de 36 anos, poderá ser condenado a 17 anos de prisão, depois de ser considerado culpado em dez acusações, incluindo conspiração, abandono do dever, maus tratos, agressão e atos indecentes. O soldado havia se declarado inocente em cinco acusações, alegando ter cumprido ordens, mas o júri recusou o argumento da defesa. O advogado da defesa, Guy Womack, alegou que o seu cliente e os seus colegas estavam seguindo um "conjunto persistente e consistente de ordens para amolecer os detidos, para fazer coisas para que nós consigamos interrogá-los com êxito, amparando a nossa missão (no Iraque)". Os abusos em Abu Ghraib provocaram repúdio internacional. Fotografias mostrando soldados americanos torturando e humilhando prisioneiros na prisão de Bagdá foram publicadas em jornais do mundo inteiro. Pirâmide Em uma das imagens que ficaram mais conhecidas, Graner aparece sorrindo atrás de uma pirâmide de prisioneiros nus. Graner teria mandado que os prisioneiros se amontoassem e depois se masturbassem uns em cima dos outros. Em outras acusações, Graner teria batido em prisioneiro ferido com uma barra de metal. O capitão Chris Grave, que apresentou o caso da acusação, descreveu os abusos em Abu Ghraib como produto do "humor depravado" de Graner e outros envolvidos. "Eles decidiram, para diversão própria, agredir, degradar", disse Grave, antes que o júri se retirasse para uma reunião de cinco horas em que decidiram o veredicto. Womack, por sua vez, tentou convencer o júri de que o problema havia sido o fato de eles terem tirado fotos, e não as práticas em si. "Eles fizeram de uma forma segura para que ninguém se machucasse. Se houve alguma coisa errada, foi que eles tiraram uma fotografia e estavam sorrindo." Além de ver fotografias e filmagens feitas dentro de Abu Ghraib em 2003, o júri ouviu depoimentos de três soldados que também foram acusados de abusos e que fecharam um acordo com a acusação. O escândalo trouxe à tona outros casos de abusos por forças americanas em centros de detenção no Afeganistão, em Guantánamo e em outras prisões do Iraque. As denúncias também levaram a pressões sobre autoridades políticas e militares, incluindo o secretário de Estado Donald Rumsfeld, que supostamente sabiam dos abusos. Uma comissão independente, no entanto, concluiu em agosto do ano passado que a responsabilidade cabia totalmente aos que administravam a prisão. A comissão criticou Rumsfeld apenas por falha de liderança. Ainda há dois soldados acusados pelos abusos de Abu Ghraib aguardando julgamento, além de Lynndie England, uma militar de mais baixa patente. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||