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Haiti enterra vítimas de Jeanne em vala comum | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As autoridades no Haiti começaram a enterrar vítimas das enchentes causadas pela tempestade tropical Jeanne em uma vala comum. Corpos foram despejados em um buraco cavado perto de Gonaives, a terceira maior cidade do país, em uma tentativa de impedir a propagação de doenças. Corpos de vítimas não-identificadas ainda são vistos espalhados pela cidade. Sobreviventes estão bebendo e cozinhando com água das enchentes, onde há esgoto e corpos em decomposição. As enchentes deixaram pelo menos mil mortos, e as autoridades advertem que a contagem final de vítimas pode chegar ao dobro desse número. Corpos Carl Murat Cantave, um representante do governo, disse que caminhões transportaram uma grande quantidade de corpos para o cemitério de Bois Marchand, perto de Gonaives, segundo a agência de notícias Reuters. Testemunhas no local disseram ter sentido um cheiro forte de deterioração no momento em que os corpos foram depositados em uma cratera de quatro metros de profundidade. Apenas cerca de duas dezenas de corpos foram identificados, e mais de mil pessoas ainda estão desaparecidas. "Nós estamos exigindo que eles venham e retirem os corpos de nossas terras", disse Jean Lebrun, morador do local, à agência de notícias Associated Press. "Cães estão comendo (os corpos)." Lama O repórter da BBC Jeremy Cooke, que esteve em Gonaives, afirma que a rua principal da cidade parece um rio, fluindo com água muito suja, de cor marrom. Sobreviventes transitam pela lama, que às vezes chega até a cintura, tentando salvar peças de sua mobília ou encontrar comida. Cada caminhão que passa, carregado ou vazio, é cercado por manifestantes desesperados por ajuda, disse Cooke. Muitos moradores foram forçados a morar nos telhados das casas, enquanto corpos inchados flutuam pelas ruas. Doenças "Há risco de epidemias. Não há eletricidade, os necrotérios não estão funcionando", disse o primeiro-ministro do Haiti, Gerard Latortue. "As pessoas estão pegando doenças da água. Elas estão andando nela, e suas peles estão ficando irritadas e com coceira. A água que eles estão bebendo está dando dor de barriga", disse Martine Vice-Aimee, de 18 anos, à AP. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, fez um apelo para que a comunidade internacional envie urgentemente ajuda humanitária para o país caribenho. "O Haiti não pode se recuperar de um desastre como este sozinho", disse Latortue. Dados do Programa Mundial de Alimentos da ONU dizem que o país é o mais pobre do Hemisfério Ocidental. Cerca de 80% dos haitianos vivem em pobreza absoluta, e a desnutrição é generalizada. |
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