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Haiti lança apelo por ajuda; mortes chegam a 700 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente interino do Haiti, Boniface Alexandre, lançou nesta terça-feira um apelo por ajuda internacional para as vítimas das enchentes causadas pela tempestade tropical Jeanne. "Diante dessa tragédia, que é da magnitude de um desastre humano, eu apelo urgentemente pela solidariedade da comunidade internacional", disse Alexandre na Assembléia Geral da ONU, em Nova York. De acordo com as últimas informações, pelo menos 700 haitianos foram mortos e mais de mil permanecem desaparecidos por causa dos estragos provocados pelas fortes chuvas que atingiram o país. O porta-voz da ONU no Haiti, Toussaint Kongo-Doudou, afirmou que 500 corpos foram recuperados apenas em Gonaives, a terceira maior cidade do Haiti, e mais cem em outras partes do país. "Nós vamos começar a enterrar as pessoas em valas coletivas no final desta terça-feira", disse Kongo-Doudou. Sem comida A Cruz Vermelha afirma que a cidade de Gonaives, no noroeste do país, sofre com a falta de alimentos, água potável e roupas. O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que 175 mil pessoas estão sem comida, água limpa e eletricidade. "As águas das enchentes eram tão fortes em Gonaives que varreram toda a cidade", afirmou Guy Gauvreau, diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Haiti. "As pessoas não têm como cozinhar, e elas sentem falta de água (limpa)", acrescentou Gauvreau. "Nós podíamos ter tido um terremoto ou uma guerra civil, mas isso é pior porque varreu tudo." O primeiro-ministro interino do Haiti, Gerard Latortue, disse à BBC que mais de 80 mil pessoas na região não têm absolutamente nada para comer. Latortue descreveu a área inundada como "um vasto mar" e declarou três dias de luto nacional. Preocupação As tropas de paz da ONU, enviadas ao país após a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro, já estão trabalhando com as agências de ajuda internacional para auxiliar as vítimas da tempestade. Autoridades haitianas temem que o número de mortos aumente ainda mais quando a situação em áreas mais remotas do país ficar mais clara. "Eu temo que esses números vão aumentar já que há áreas que ainda permanecem inacessíveis", afirmou Hans Havik, da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha, à agência de notícias France Presse. Os locais que despertam maior preocupação, além de Gonaives, são a cidade costeira de Port-de-Paix (também no noroeste do Haiti) e a ilha de La Tortue, que teria sido completamente inundada pelo aumento do nível das águas. A União Européia anunciou que vai liberar 1,5 milhão de euros para uma ajuda de emergência, e a embaixada dos Estados Unidos ofereceu US$ 60 mil para auxílio imediato. |
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