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Atualizado às: 16 de setembro, 2004 - 12h35 GMT (09h35 Brasília)
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Corrupção e disputas devem dominar Congresso do PC chinês
Hu Jintao, líder da China
Em discurso antes da reunião, Hu descartou reformas políticas
Os dirigentes do Partido Comunista da China começaram seu congresso anual nesta quinta-feira com o objetivo de debater formas de combater a corrupção e em meio ao que tem sido apontado no país como uma disputa de poder entre o presidente Hu Jintao e seu predecessor, Jiang Zemin.

Na reunião, pode ser decidido se Zemin, que ainda ocupa o cargo de chefe militar do país, vai passar o posto para Hu Jintao.

A rivalidade entre Hu, de 61 anos – que sucedeu Jiang na liderança do partido, em 2002, e na Presidência, em 2003 –, e seu antecessor emergiu abertamente nas últimas semanas.

Jiang estaria sendo pressionado a renunciar de seu último posto, o que consolidaria o poder de Hu.

Apesar disso, é improvável que a rivalidade evolua para uma briga aberta, e muitos analistas duvidam que Jiang vá deixar seu cargo agora.

A disputa é fruto de visões diferentes dos dois líderes sobre muitas questões, incluindo a política macroeconômica e sobre como desaquecer a economia, que estaria crescendo rápido demais.

Poder

Os líderes do PCC afirmam que no encontro deste ano vão buscar formas de melhorar a transparência e o processo de prestação de contas do partido, combatendo a corrupção que vem abalando sua credibilidade.

Reunião do comitê central do Partido Comunista Chinês
Hu descarta mudanças no sistema de partido único

A intenção de Hu ao provover esse debate seria assegurar que o partido mantenha sua legitimidade como centro de poder do país.

Em um discurso, na quarta-feira, para marcar o 50º aniversário do Parlamento chinês, o Congresso Nacional do Povo, Hu disse que mudanças eram necessárias.

"Exercer o poder sem restrição ou supervisão pode levar a abuso de poder e corrupção", disse Hu em um discurso de 50 minutos transmitido ao vivo pela TV estatal.

"Devemos melhorar e reforçar o trabalho de supervisão dos congressos do povo e aumentar a efetividade dessa supervisão", disse ele.

Mas ele também descartou grandes mudanças na política do país. Para o presidente, a China seria levada a "um caminho cego" se copiasse os sistemas políticos do Ocidente e deixou claro que quer manter o regime de partido único.

Antes da reunião de quinta-feira, a polícia prendeu milhares de manifestantes que tinham ido a Pequim para manifestar seu desacordo em relação a decisões judiciais.

Louisa Jim, correspondente da BBC em Pequim, disse que o grande número de pessoas que foram à capital para reclamar são um indicador das dificuldades enfrentadas pelos líderes da China.

A reunião anual dos 198 membros do Comitê Central do Partido Comunista deve durar quatro dias.

A reunião será toda a portas fechadas e não haverá divulgação de maiores detalhes até a sessão de encerramento, no domingo.

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