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Atualizado às: 29 de agosto, 2004 - 18h21 GMT (15h21 Brasília)
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Ex-diretor da BBC acusa Blair de ser 'incompetente ou de mentir'
Greg Dyke diz que História não ficará ao lado de Blair
Greg Dyke diz que História não ficará ao lado de Blair
O ex-diretor-geral da BBC, Greg Dyke, que renunciou ao cargo após a disputa entre a BBC e o governo britânico sobre a cobertura que antecedeu a guerra ao Iraque, criticou duramente o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em trechos de suas memórias que começaram a ser publicados neste domingo por dois jornais britânicos.

Em uma passagem do livro (intitulado Inside Story), publicada pelo jornal The Observer e Mail on Sunday, Dyke diz que Blair foi incompetente ou que mentiu quando disse que o Iraque tinha a capacidade de detonar armas de destruição em massa 45 minutos após uma ordem ser dada.

'Ou ele foi incompetente e levou a Grã-Bretanha à guerra baseado em um mal-entendido ou ele mentiu quando disse ao Parlamento que não sabia o que a alegação de 45 minutos significava', diz um trecho do livro.

Dyke disse ainda que todos foram enganados e que a História não ficará ao lado de Blair.

'Nós fomos todos enganados. O que é realmente amedrontador é que Blair ainda não acredita ou entende que o que ele fez foi fundamentalmente errado'.

Reportagem polêmica

Uma reportagem da BBC alegando que o governo, provavelmente, sabia disso esteve no centro da polêmica entre os dois lados.

O ex-diretor da BBC diz ainda que o primeiro-ministro 'soltou os cachorros' na BBC depois que a instituição foi criticada pelo inquérito liderado pelo ex-juiz Bryan Hutton.

Ele acusa ainda Blair de ter quebrado uma promessa anterior de que nenhuma cabeça deveria rolar na corporação em torna da briga.

Dyke foi forçado a renunciar em janeiro após o inquérito de Bryan Hutton ter concluído que a BBC errou ao alegar que o governo 'maquiou' o dossiê sobre as armas proibidas do Iraque.

Dyke disse também que Blair forçou seu diretor de comunicação, Alastair Campbell, a deixar Downing Street porque ele ficou 'fora de controle' e 'obcecado' com sua batalha em vencer a BBC.

O governo se negou a comentar em detalhe as acusações.

'Greg Dyke tem direito a ter sua opinião. Nós não compartilhamos dela. Já houve quatro inquéritos e não temos nada a acrescentar', disse um porta-voz.

O repórter de mídia da BBC Nick Higham disse que o primeiro-ministro poderia, no entanto, recorrer em sua defesa aos inquéritos Hutton e Butler, já que ambos inocentaram o governo.

Pressão

O ex-diretor publica no livro também cartas enviadas por Blair as quais, segundo Dyke, mostram como o governo pressionava a BBC a mudar sua cobertura no período que antecedeu a guerra.

'Parece que houve um verdadeiro desmoronamento da separação entre notícia e comentário', teria dito Blair em uma das cartas.

Dyke diz ainda que os seis integrantes do Conselho Administrativo da BBC deveriam renunciar, dizendo que eles entraram em pânico 'como coelhos amedrontados' com a pressão do governo.

O ex-assessor de Downing Street, onde fica a sede do governo britânico em Londres, Tim Allan, disse que Dyke deveria assumir responsabilidade por seu erro.

'O fato é que eles transmitiram uma notícia que não era verdadeira. Ele (Greg Dyke) defendeu essa notícia sem antes fazer as mais básicas verificações editoriais e, mesmo agora, não está enfrentando sua responsabilidade. Foi ele que levou a BBC à maior crise de sua história. Ele tem que assumir essa responsabilidade com seriedade', disse Allan.

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