|
BBC anuncia revisão de procedimentos editoriais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A BBC vai investir mais em treinamento de seus profissionais, reforçar o papel exercido por editores e advogados e aprimorar os procedimentos internos em caso de reclamações. As medidas foram sugeridas pelo ex-chefe da área de notícias da empresa, Ron Neil, em um relatório interno cujo objetivo era analisar e tirar lições do Inquérito Hutton, que no ano passado investigou as circunstâncias da morte do perito em armas David Kelly. O conselho da BBC anunciou que aceita as recomendações feitas por Ron Neil e que já começou a atuar para colocá-las em prática. Neil disse que a BBC deve continuar a fazer reportagens com base em uma única fonte, mas apenas nos casos em que a informação "é de significante interesse público" e desde que procedimentos corretos sejam seguidos. Ele afirmou ainda que reportagens com fontes anônimas devem sofrer "um maior escrutínio editorial". O relatório também afirma que é necessário um sistema que encoraje o rápido esclarecimento e a correção de eventuais erros e que funcionários de todos os níveis devem tomar parte em um processo de "aprendizado contínuo" e aprender com os erros. A BBC também deverá investir na criação de uma escola de jornalismo, dirigida por um acadêmico. Um grupo de executivos da área de notícias está trabalhando no planejamento da escola, que deve começar a funcionar em 18 meses. O objetivo é que a instituição ajude no treinamento de funcionários de outras empresas de jornalismo da Grã-Bretanha e de outros países. O Inquérito Hutton concluiu que uma reportagem de rádio da BBC a respeito de um dossiê do governo britânico sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque era "infundada". Transmitida no dia 29 de maio de 2003, a reportagem de Andrew Gilligan dizia que o governo havia incluído dados no dossiê, mesmo sabendo que eles estavam incorretos, para tornar o documento mais "atraente". A reportagem, baseada em uma conversa com David Kelly, não indicava originalmente a fonte das informações. Kelly acabou sendo apontado na imprensa como uma possível fonte da reportagem e, dias depois de ser questionado por membros do Parlamento britânico, se suicidou. Depois da morte do cientista, a BBC confirmou que ele havia sido a fonte da reportagem em questão. Tanto o então diretor-geral da BBC, Greg Dyke, como o presidente do conselho, Gavyn Davies, deixaram a BBC logo depois da divulgação das conclusões do Inquérito Hutton, em janeiro. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||