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Comando ajudou a criar 'condições' para abuso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os membros mais altos, civis e militares, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos devem ser responsabilizados, ao menos em parte, por criar as condições que permitiram os abusos contra prisioneiros em Abu Ghraib, no Iraque. A conclusão é de um grupo de especialistas que apresentou nesta terça-feira um relatório sobre o escândalo na prisão. "Há ambas, responsabilidade institucional e pessoal, no mais alto nível", disseram os autores do relatório. "Encontramos falhas fundamentais em todos os níveis de comando, dos soldados ao Comando Central (no Iraque) ao Pentágono. Essas falhas na liderança ajudaram a estabelecer as condições que permitiram que as práticas abusivas ocorressem", disse Tillie Fowler, uma das representantes do painel de quatro especialistas. Apesar disso, o relatório afirma que não havia uma política explícita que defendesse a tortura de prisioneiros. Falhas "Não há evidências de uma política de abusos que tenha sido promulgada por altos funcionários ou autoridades militares", afirmou o relatório. Segundo a análise que foi feita, a responsabilidade direta pelo que ocorreu em Abu Ghraib deve ser atribuída ao comando em nível local, no Iraque. O painel de quatro especialistas que elaborou o trabalho foi liderado pelo ex-secretário de Defesa James Schlesinger e foi apontado por Donald Rumsfeld. A comissão disse ainda que havia "caos" na prisão de Abu Ghraib. Schlesinger afirmou que no turno da noite havia sadismo sistemático na prisão e descreveu Abu Ghraib como uma "casa de animais". O grupo de especialistas afirmou ainda que não era de sua competência apontar punições relacionadas aos abusos no Iraque. Durante a coletiva de imprensa em que foi apresentado o resultado do relatório, membros do painel que o escreveu o relatório disseram que, apesar dos problemas apontados, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, não deveria renunciar. Escândalo O escândalo de Abu Ghraib começou em abril passado, quando fotografias mostranto abusos contra prisioneiros iraquianos na prisão apareceram pela primeira vez. Sete soldados americanos da 327ª Companhia da Polícia Militar foram acusados formalmente de abusar de prisioneiros - quatro deles estão enfrentando audiências para determinar se devem enfrentar um julgamento. Outros sete receberam advertências por escrito que na prática podem pôr fim a suas carreiras militares. As principais acusações se referem a maus-tratos que teriam sido cometidos em outubro e novembro do ano passado contra cerca de 20 prisioneiros iraquianos. Desde que o caso foi a público, um dos grandes debates se deu em torno da eventual culpa na cadeia de comando militar e civil. |
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