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Atualizado às: 03 de agosto, 2004 - 21h48 GMT (18h48 Brasília)
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Militar dos EUA é acusada de tirar fotos 'por diversão'
A soldado Lynndie England
England protagonizou cenas durante tortura em prisão no Iraque
Promotores militares nos Estados Unidos disseram no primeiro dia do julgamento de uma soldado envolvida em abusos de prisioneiros iraquianos que ela agiu de vontade própria e que já admitiu anteriormente ter feito aquilo "só por diversão".

Na audiência desta terça-feira, no Estado americano da Carolina do Norte, a soldado Lynndie England, de 21 anos, que está grávida, esteve no banco dos réus.

Ela aparece em várias fotos em que prisioneiros do cárcere de Abu Ghraib, em Bagdá, são humilhados. Em uma delas, está rindo e segurando uma coleira presa ao pescoço de um prisioneiro.

Em outras imagens, ela aponta para a genitália de um prisioneiro e aparece fazendo um gesto de aprovação diante de uma pirâmide de presos nus.

A defesa de England diz que ela apenas cumpria ordens e que está sendo usada como bode expiatório para as falhas da política americana no Iraque.

"Diversão"

Paul Arthur, um investigador do Exército, declarou que, quando entrevistou England sobre as imagens três meses antes das fotos virem a público, ela disse que as fotos foram tiradas "enquanto eles brincavam, se divertiam, durante o turno da noite".

Arthur afirmou acreditar que os militares dos Estados Unidos acusados de maltratar presos iraquianos praticaram os abusos "por diversão, para aliviar a sua frustração" com o estresse da guerra e com uma rebelião de presos que havia ocorrido pouco tempo antes.

Indagado, porém, se ele acreditava que essa avaliação valia também para o caso de England, respondeu: "Ela nunca mencionou que estivesse frustrada. Ela disse que foi mais por diversão".

Outro investigador militar a testemunhar, Warren Worth, contou que em nenhum momento England disse ter participado das fotos contra a sua vontade – pelo contrário, algumas fotos ela teria tirado por sua própria iniciativa, segundo o militar.

Worth disse também que ela trabalhava em outra parte da prisão de Abu Ghraib e que não deveria estar no local em que os abusos aconteceram.

England vai responder a várias acusações, entre elas agressões a prisioneiros, atos indecentes e produção e posse de fotos sexualmente explícitas.

A pena máxima de prisão a que ela poderia ser condenada é de 38 anos.

England é uma dos sete reservistas indiciados pelo escândalo de Abu Ghraib. Outro soldado, Jeremy C. Sivits, se pronunciou culpado no tribunal e foi sentenciado a um ano de prisão.

O escândalo provocado pelos maus-tratos contra prisioneiros de Abu Ghraib teve enorme repercussão em todo o mundo e levou à suspensão da comandante da brigada da polícia do Exército que administrava a prisão.

Diante das reações iradas dos países árabes, o presidente americano, George W. Bush, foi obrigado a se desculpar.

Bush disse que os maus-tratos foram provocados por um pequeno grupo de pessoas.

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