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Atualizado às: 03 de agosto, 2004 - 19h25 GMT (16h25 Brasília)
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Sudão mantém intimidação em Darfur, diz ONU
Campo de refugiados em Darfur
Situação na África é descrita como pior crise humanitária da atualidade
Funcionários da ONU disseram que autoridades do governo do Sudão continuam com uma campanha de intimidação para convencer famílias deslocadas no país a voltar para suas casas contra a sua vontade na região de Darfur.

O governo - que afirma que a crise na região já terminou - estaria tentando forçar as pessoas a voltar para suas casas, apesar de muitos refugiados ainda temerem o retorno.

Ao longo dos últimos 18 meses de conflito em Darfur, mais de 1 milhão de pessoas tiveram de abandonar suas casas, e grande parte delas vive agora em campos de refugiados no vizinho Chade.

O governo do Sudão anunciou nesta terça-feira planos de dobrar para um total de 12 mil o número de soldados atuando na região de Darfur.

A notícia foi dada durante um encontro de integrantes do governo em Cartum com um representante da ONU (Organização das Nações Unidas), Jan Pronk.

A ONU deu ao Sudão um prazo de 30 dias para desarmar as milícias árabes conhecidas como Janjaweed, acusadas de cometer atrocidades contra sudaneses não-árabes.

Avanços

Promk disse à BBC que houve avanços positivos na implementação do acordo feito no mês passado entre a ONU e o Sudão para que a haja melhoras nas condições de segurança para a população de Darfur.

"Ainda há muitos integrantes de milícias por ali", disse o enviado da ONU. "Isso provoca muita insegurança. As atividades dos rebeldes também contribuem para a insegurança."

Pronk acrescentou, porém, que "a segurança nos campos (de refugiados) melhorou".

Trabalhadores de agências humanitárias e da própria ONU, entretanto, apresentaram uma visão mais pessimista da situação nos campos.

Disseram ter notado um aumento no número de integrantes de milícias ligadas ao governo na região.

E citaram o exemplo de um grupo de deslocados que deixou um campo perto da fronteira com o Chade tentando voltar ao seu vilarejo de origem mas acabou retorando ao campo por sentir que suas vidas estavam ameaçadas pelas milícias.

O chanceler sudanês, Mustafa Osman Ismail, disse que no encontro de hoje foram decididas medidas para melhorar as condições de vida daqueles deslocados pelo conflito.

O país terá quatro meses para dobrar o número de soldados em Darfur.

O governo sudanês ainda tenta negociar com a ONU maior flexibilidade no prazo de 30 dias estipulado por uma resolução do Conselho de Segurança para o desarmamento das milícias.

O Exército sudanês afirmou que a resolução da ONU era uma "declaração de guerra", e o governo de Cartum diz que um prazo de 90 dias seria mais realista.

Até 50 mil pessoas já morreram desde que o conflito começou em Darfur, no ano passado.

A situação, que já foi descrita como genocídio pelos Estados Unidos, tem levado muitos países a defender uma intervenção militar para evitar uma nova catástrofe de enormes proporções na África.

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