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Lucas Mendes: Kerry é ambicioso, determinado e sem carisma | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Afinal quem é John Kerry? Desde criança ele já tinha uma atitude independente, meio distante e até fria, dizem dezenas de amigos em dezenas de perfis na imprensa americana. Primeiro aluno em todas as escolas, líder estudantil, poliglota, jogador de hóquei, futebol, esquiador de água e neve, guitarrista clássico, piloto de barcos de alta velocidade e de aviões, ex-promotor e ex-vice-governador. Ainda na faculdade as ambições políticas de John Kerry já eram tão evidentes que quando ele passava os colegas, por deboche, assoviavam o hino que anuncia a chegada do presidente americano. Herói da guerra e da antiguerra do Vietnã. Vinte anos no Senado e nenhuma lei com o nome dele. É um Kennedy ou um arremedo? Subestimado Depois de tantos depoimentos, filmes e análises, o Kerry que sai desta convenção é um homem complexo, sem o apelo dos populistas, mas capaz de se comunicar com todas as camadas do próprio partido e atrair independentes. Até agora os números de Bush e Kerry nas pesquisas continuam próximos mas o ex-governador de Massachussetts William Weld, um republicano, acha que o poder de campanha de Kerry está sendo subestimado. Weld tentou tomar a cadeira de Kerry no Senado em 1996 e dois meses antes da eleição os dois estavam empatados nas pesquisas. Weld tinha saído do governo com um índice de aprovação altíssimo, 71%, e achava impossível perder para Kerry. Dez dias antes da eleição o senador disparou e abriu uma vantagem de oito pontos que nunca perdeu. O John Kerry que sai desta convenção não tem a eloqüência de Bill Clinton nem o carisma de John Kennedy, mas não perde em inteligência, informação, nem na ambição de ser presidente. |
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