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Atualizado às: 30 de julho, 2004 - 02h32 GMT (23h32 Brasília)
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Kerry defende manutenção de empregos nos EUA

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry, na convenção democrata em Boston, nesta quinta-feira
 Nós vamos fazer comércio e competir no mundo, mas nossos planos prevêem um campo de negociações justo. Se dermos condições justas ao trabalhador americano, não há ninguém no mundo contra quem não possamos competir.
John Kerry

O candidato democrata à Presidência americana, John Kerry, reforçou a mensagem de defesa dos empregos nos Estados Unidos no discurso em que aceitou a indicação do partido para concorrer à Casa Branca.

"Nós vamos valorizar um país que vai exportar produtos e não empregos. Nós acreditamos que o trabalhador americano não deve subsidiar a perda de seus próprios empregos", disse Kerry em Boston, no seu pronunciamento na Convenção Nacional Democrata.

“O que está acontecendo nos Estados Unidos hoje, quando David McCune, um metalúrgico que conheci em Ohio, vê seu emprego e todo o equipamento da fábrica em que ele trabalhava sendo enviados para outro país? O que está acontecendo, quando trabalhadores que encontrei têm de treinar os estrangeiros que vão substituí-los?”

O desemprego é uma das principais preocupações dos americanos hoje e grande parte dos eleitores culpa a abertura comercial e os investimentos de empresas americanas no exterior - em busca de mão de obra barata - pelo problema.

Isenções

Os planos de manutenção de investimentos americanos nos Estados Unidos já haviam sido abordados na quarta-feira, quando o candidato a vice-presidente, John Edwards - um dos grandes porta-vozes democratas do protecionismo - fez seu discurso.

Historicamente, os democratas são considerados mais protecionistas do que os republicanos.

Kerry disse que quer fechar brechas na legislação tributária que "recompensam empresas que enviam empregos para o exterior".

"Ao contrário, vamos premiar companhias que criem empregos onde eles têm de ser criados: no bom e velho Estados Unidos", disse o senador.

Classe média

Kerry disse aceitar a indicação democrata "em nome da classe média" e dos soldados americanos que estão lutando no exterior.

"Na noite de hoje (quinta-feira), em nome do renascimento da liberdade, em nome da classe média e daqueles que estão lutando para chegar a ela e merecem uma chance justa, pelos nossos corajosos homens e mulheres de uniforme que arriscam as vidas diariamente e pelas famílias que rezam pela volta deles, por todos aqueles que acreditam que melhores dias estão no futuro, com grande fé no povo americano, eu aceito a nomeação de vocês para a Presidência dos Estados Unidos", disse.

Além da economia, senador também deu muito destaque em seu discurso ao tema que, segundo as pesquisas, está no topo das preocupações do eleitorado americano: as guerras no Iraque e contra o terrorismo.

Kerry vai ser recebido no palco montado na convenção nacional pelos veteranos da Guerra do Vietnã que o acompanhavam no barco de patrulhava que o senador comandava durante o conflito. Desde as primárias, a identificação de Kerry com os veteranos e o próprio passado militar do senador são temas invariavelmente presentes.

11 de setembro

O senador também reafirmou sua intenção de seguir as recomendações feitas pela comissão que investigou os ataques de 11 de setembro de 2001 a Nova York e Washington.

 Esta é a eleição mais importante de nossas vidas e a aposta é alta. Somos uma nação em guerra, uma guerra global ao terror contra um inimigo diferente de qualquer outro que conhecemos antes. E aqui em casa, a renda está caindo, os custos médicos subindo e nossa grande classe média encolhendo.
Trecho do discurso de Kerry de aceitação da candidatura à presidência dos EUA

"A comissão nos deu um caminho a seguir endossado por republicanos, democratas e pelas famílias das vítimas de 11 de Setembro. Como presidente, não vou fugir. Vou imediatamente implantar as recomendações daquela comissão."

Entre as principais propostas da comissão, estão a criação de um Centro Nacional de Contraterrorismo e a indicação de um funcionário de alto escalão para supervisionar todos os serviços de inteligência dos Estados Unidos.

O presidente George W. Bush disse que vai examinar com cuidados as recomendações, mas não se comprometeu com nenhuma mudança.

Guerra

Kerry disse que, sob seu governo, o país não iria a guerras "porque quer, mas só se tiver de fazê-lo."

O senador afirmou no entanto que não vai "hesitar em usar a força se for necessário".

"Qualquer ataque vai ser respondido com uma reação aguda e clara. Nunca vou dar a nenhuma nação ou instituição internacional o poder de veto sobre nossa segurança nacional. E vamos montar forças armadas mais poderosas para nosso país."

A declaração é uma resposta às acusações de republicanos de que Kerry dependeria de autorização da Organização das Nações Unidas (ONU) ou de países aliados para tomar decisões militares.

Ataques

Kerry foi moderado, no discurso, nos ataques contra o governo republicano, embora tenha feito críticas ao vice-presidente, Dick Cheney, e ao secretário de Justiça, John Ashcroft.

Apesar disso, John Kerry pediu diretamente ao presidente George W. Bush uma campanha limpa e baseada em idéia, não ataques.

"Quero dirigir minhas próximas palavras diretamente ao presidente George W. Bush: nas próximas semanas, vamos ser otimistas e não apenas adversários. Vamos construir a unidade na família americana e não uma raivosa divisão", disse.

"Vamos respeitar a diversidade, vamos respeitar um ao outro e nunca utilizar com fins políticos o mais precioso documento da história americana, a Constituição dos Estados Unidos", numa referência à tentativa do governo de criar uma emenda constitucional proibindo de vez o casamento homossexual em todo o país.


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