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Entenda a crise na Faixa de Gaza | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Faixa de Gaza tem vivido momentos que beiram à anarquia nos últimos dias, o que levou o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, a reformular as suas forças de segurança. Leia a seguir mais detalhes sobre a atual crise. O que vem provocando o caos em Gaza? Gaza é o palco de uma disputa de poder entre a "velha guarda" da Autoridade Palestina, liderada por Yasser Arafat, e uma geração mais jovem de militantes armados e integrantes dos serviços de segurança que querem reformas na estrutura palestina. A velha guarda é acusada de corrupção e de não ter agido para garantir aos palestinos segurança e vida melhor social e economicamente. Também não foram capazes de formar instituições capazes de sustentar um futuro Estado palestino. Agora que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, decidiu efetuar uma retirada de tropas e assentamentos judaicos da Faixa de Gaza até o final de 2005, diversas facções se enfrentam por uma fatia do poder na região. Desde o seu estabelecimento em 1994, a Autoridade Palestina foi crescentemente acusada de nepotismo e de prestar favores políticos a um pequeno círculo próximo a Arafat. A violência dos últimos dias foi alimentada ainda mais quando Arafat indicou o seu primo Moussa Arafat para o posto de principal chefe das forças de segurança – o líder palestino acabou voltando atrás nessa decisão. O que Yasser Arafat tenta conseguir? O veterano líder palestino anunciou um plano para reorganizar as forças de segurança, dividindo-as em três partes: segurança geral, polícia e inteligência. Ele sofre pressão há muito tempo para reformar o setor, mas o atual plano é visto como uma nova tentativa dele de consolidar o seu controle sobre Gaza antes da retirada de Israel. Governos de outros países querem que ele ceda o controle da confusa gama de diferentes serviços de segurança palestinos. Em particular, os Estados Unidos pressionam para que haja uma simplificação das forças, divididas em um menor número, e que elas fiquem sob o controle do primeiro-ministro palestino, e não de Arafat. Está claro que Arafat não quer perder o controle sobre as forças que são fundamentais para que ele mantenha a sua autoridade sobre os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Arafat se encontra em posição fragilizada? Sempre alerta com o que é preciso para seguir no poder, Arafat rapidamente anulou a promoção que concedeu ao seu familiar quando ficou claro que a indicação não era bem aceita pela população. Alguns analistas dizem que o comando de Arafat está se esfarelando em Gaza e que uma nova geração de jovens armados das ruas surge como novo poder na região. Isso poderia sinalizar uma nova ascenção de Mohammad Dahlan como potencial rival à liderança da velha guarda. Arafat já escapou ileso de muitas crises como esta no passado, mas trata-se de uma das mais sérias que ele já enfrentou. Ironicamente, ele pode acabar sendo ajudado por Israel, país cujo governo de Ariel Sharon manteve uma campanha incessante para marginalizar Arafat e minar sua base de poder. Provavelmente a última coisa que os israelenses desejam é ver Gaza submersa no caos, com a velha guarda com quem eles conseguem dialogar sendo perseguida por militantes mais jovens e a ameaça de que o Hamas passe a controlar a região. Que caminhos a crise deve tomar? A posição da Autoridade Palestina continua longe de estar clara, o processo do Poder Executivo está marcado pela indecisão e confusão. Isso não é novo dentro do padrão de gerenciamento de governo de Arafat. O chefe geral de segurança em Gaza e na Cisjordânia será Abdel Razek Al-Majeida, leal a Arafat e que havia sido demitido dois dias antes do comando da segurança em Gaza. Moussa Arafat retomará o seu velho cargo de comando em Gaza. |
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