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Novas forças políticas ampliam disputa entre palestinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proposta do governo israelense de retirar as suas tropas e seus assentamentos da Faixa de Gaza – algo que pode ocorrer até 2005 – e o surgimento de novas forças políticas estão ajudando a intensificar novas e antigas rivalidades entre palestinos. A perspectiva da saída israelense da região, ampliou os movimentos para determinar como será o controle dessa área pelos palestinos. O mais recente confronto entre palestinos é reflexo dessa disputa e da complexa rede de relações da política palestina e dessas disputas de poder. Importantes grupos e indivíduos, como o líder palestino Yasser Arafat, o primeiro-ministro Ahmed Korei, altos integrantes da Autoridade Palestina e organizações militantes islâmica, entre outros, estão lutando por poder e influência. Parte da disputa está, inclusive, emergindo de dentro dos quadros do Fatah, o movimento palestino liderado por Arafat. As próximas semanas vão mostrar se a coesão instintiva entre palestinos, comum em épocas de crise, pode frear a atual tendência de a situação descambar para uma guerra civil. Impotência ou poder? Arafat tem reagido às mais recentes crises como se nada houvesse afetado a sua autoridade nos últimos anos. Recentemente, por exemplo, ele ignorou seu primeiro-ministro e ordenou uma grande mudança na estrutura de segurança da Autoridade Palestina. Seguindo essa linha, Arafat apontou um de seus aliados mais fiéis – seu sobrinho Moussa Arafat – para comandar a área. Korei, em contraste, acreditava que devia assumir o controle da situação e, quando se mostrou incapaz de assegurar mais autoridade para si, entregou sua renúncia - que não foi aceita. A disputa por poder deixa os mais altos integrantes da Autoridade Palestina – tanto civis quanto militares – em uma situação cada vez mais difícil. Com poucos recursos e cada vez mais carente de apoio da comunidade como um todo, eles são acusados de serem agentes impotentes de um sistema dividido, fraco e corrupto. Reformas Até o momento, estas autoridades têm reconhecido um inimigo comum nos movimentos militantes islâmicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A constatação de que estes grupos estão com crescente autoridade e apoio deixou os aliados de Arafat com uma escolha difícil: ou tentar desarmar os militantes e correr o risco de uma guerra civil ou deixar tudo como está e ficar na espera de poderosas respostas israelenses a atos de violência cometidos por radicais islâmicos. Como se isso não bastasse, a Autoridade Palestina agora enfrenta desafios de grupos de jovens altamente politizados no interior do próprio Fatah. Eles querem reformas políticas de verdade e o fim da corrupção, e não as promessas vagas que têm ouvido até agora. E eles querem as reformas imediatamente. No momento, pelo menos, essas vozes de insatisfação não estão cobrando a remoção de Yasser Arafat e seus aliados mais próximos. Mas, como deixou claro um porta-voz da até recentemente desconhecida Brigada dos Mártires de Jenin: “Com todo o devido respeito ao presidente Arafat, a Autoridade Palestina não pode continuar a ser monopolizada por ele e seus parentes”. Rumo ao caos As implicações desta última observação não vão passar despercebidas por Arafat e seus auxiliares. Os críticos da atual liderança do Fatah dentro do próprio grupo há anos vêm convivendo com militantes islâmicos e vendo como estes grupos têm ganhado apoio popular. Em resumo, Arafat deve certamente estar consciente agora de que o clima político mudou completamente. Enquanto no passado ele podia facilmente ter mudado as peças no tabuleiro para sair do cheque, agora sua margem de manobra está bastante limitada. Uma resposta rápida e incivisa às reivindicações no interior do Fatah pode ser sua única alternativa para que ele e toda a Autoridade Palestina não se vejam diante de um cheque-mate. Se isso acontecer, descartando até mesmo a ilusão de uma autoridade central, ficaria ainda mais difícil evitar que a situação se torne caótica, ou até mesmo que ocorra uma guerra civil. |
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