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Bush investe em voto judeu para conseguir reeleição | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
É fácil de fazer uma caricatura do perfil político da comunidade judaica nos Estados Unidos: ela é composta de seguidores de Franklin D. Roosevelt, por democratas do New Deal. A caricatura simplifica a complexidade desta comunidade. Mas o fato é que o democrata Al Gore ganhou 80% dos votos judeus nas eleições presidenciais de 2000. Será que desta vez a história pode ser diferente? Ao enfatizar seu forte apoio a Israel desde que assumiu o governo, a campanha de George W. Bush pela reeleição está fazendo um esforço específico para atrair os votos de uma parte do eleitorado da qual tinha desistido anteriormente. Eleitores decisivos A população judaica nos Estados Unidos é pequena em número - são apenas 6 milhões de pessoas, o equivalente a 2% da população. Mas eles têm poder eleitoral, pois vivem em um punhado de Estados que podem decidir as eleições. A maioria dos observadores concorda que os Estados Unidos estão se consolidando politicamente em duas metades. Então a luta para mudar as tendências políticas em Estados considerados decisivos é intensa. Depois de decidir o pleito de 2000 por uma margem de 537 votos a favor de Bush, a Flórida, mais uma vez, deverá ter um papel decisivo em novembro. E é por isso que o voto judeu está em destaque, repentinamente. O sul da Flórida tem a segunda maior população judaica dos Estados Unidos, depois de Nova York, e é um dos principais focos das atenções do Partido Republicano. Há dois meses, o vice-presidente Dick Cheney foi enviado à Flórida para falar na Federação Judaica do Condado de Palm Beach. Novas visitas de republicanos importantes à comunidade judaica local estão programadas. Foco em Israel Em um café da manhã, em um restaurante de Boca Ratón, o presidente do Partido Republicano do Condado de Palm Beach, Sid Dinerstein, explica que sua missão é dobrar o número de eleitores judeus que votam no seu partido nas eleições de novembro. "Se aumentar de 20% para 30%", diz ele, "este Estado será do presidente Bush". Brian Crowley, editor de política do jornal Palm Beach Post, reconhece a nova determinação do Partido Republicano de conquistar judeus democratas. E ele acredita que os esforços deles estão sendo auxiliados pela mudança demográfica da população judaica da Flórida, já que judeus mais jovens e mais ricos do meio-oeste americano estão se mudando para lá. Esses eleitores têm menos fidelidade política ao Partido Democrata do que a comunidade tradicional, nascida na Costa Leste americana. Ponto central para a campanha dos republicanos é a mensagem que os interesses de Israel receberão maior atenção se Bush for reeleito. Nos Estados Unidos pós-11 de setembro, o argumento deles é que os Estados Unidos e Israel têm agora um inimigo comum e devem tratar dele da mesma maneira. A implicação: o Partido Democrata será mais fraco em relação a Israel. Desafios Adam Hasner, deputado e líder do movimento judeu da campanha de Bush-Cheney na Flórida, é incisivo ao dizer que é correto politizar a questão de Israel nas próximas eleições. "Acredito que (os eleitores) deveriam estar olhando para Israel como a maior prioridade", diz Hasner. "Porque sem Israel, a comunidade judaica na Flórida deixa de existir". Os nova-iorquinos de meia idade que encontrei no restaurante Poppy's, em Boca Ratón, ainda são os representantes típicos da comunidade judaica do Estado. Entre eles, não parecia haver muito entusiasmo pela mensagem republicana. A visão mais comum era de que, se os democratas ganharem, eles vão apoiar Israel da mesma maneira que os republicanos o fazem. Também havia alguma irritação com a idéia de que Israel tem que ser o assunto número um dos eleitores judeus da Flórida. "Não tem nada a ver com Israel. Votarei na melhor pessoa", disse um dos fregueses do restaurante. Outros estavam certos de que os eleitores judeus vão continuar a votar de acordo com suas afiliações, assuntos domésticos e tradição. Essa é uma visão compartilhada por Steve Rabinowitz, pesquisador eleitoral democrata, que está confiante de que, tão logo seja reconhecido o apoio de John Kerry a Israel, a atenção voltará a preocupações domésticas e os democratas novamente ganharão a maior parte dos votos judeus. Mas o Partido Republicano acredita que esta eleição será diferente e está caçando os votos judeus com uma energia não usada antes. Se a crença de Steve Rabinowitz estiver errada, o Partido Democrata poderá ter uma dificuldade inesperada de obter o que seria parte de sua base eleitoral na Flórida e em outros Estados importantes. |
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