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Atualizado às: 10 de julho, 2004 - 02h56 GMT (23h56 Brasília)
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Análise: A CIA fica com a culpa

Senadores americanos apresentam relatório
Democratas acharam que relatório ficou incompleto
Em seu relatório e seus comentários, o Comitê de Inteligência do Senado americano foi tão confiante em seu julgamento dos órgãos de inteligência americanos quanto esses órgãos foram a respeito da existência de um programa de desenvolvimento de armas de destruição em massa no Iraque.

E o veredicto do comitê foi bastante crítico.

Tanto o Senador democrata Jay Rockefeller quanto o presidente da comissão, o republicano Pat Roberts, questionaram se o Congresso americano teria autorizado a guerra contra o Iraque se soubesse o que hoje sabe sobre o programa de armas de destruição em massa iraquiano.

Mas o que deu errado? Primeiramente, de acordo com o relatório, está claro que a CIA não tinha suficientes recursos humanos dentro do Iraque.

O comitê revelou que, depois de 1998, o órgão passou a não ter mais fontes dentro do programa de armas iraquiano.

Em segundo lugar, as informações que foram captadas do Iraque não foram satisfatoriamente analisadas.

“A comunidade de inteligência (o conjunto de órgãos e agentes encarregados do trabalho de inteligência nos Estados Unidos) estava tendo o que nós chamamos de ‘pensamento coletivo’, de grupo”, disse Pat Roberts.

“Esse ‘pensamento de grupo’ levou a comunidade a interpretar indícios ambíguos, como a busca de tecnologias que poderiam ter duplas aplicações, como sinais conclusivos da existência de programas de armas de destruição em massa.”

Finalmente, o comitê concluiu que houve uma falha de direção, ao não se incentivar analistas a desafiar suposições, a considerar argumentos alternativos e caracterizar com precisão dados de inteligência.

“Metade da história”

O veredicto da CIA foi bipartidário – o Senador democrata Jay Rockefeller foi igualmente rigoroso nas suas críticas à agência.

Mas republicanos e democratas se diferenciaram no grau em que consideraram que a CIA deveria arcar sozinha com a culpa.

“O relatório do comitê não consegue descrever por completo o ambiente de intensa pressão no qual agentes de inteligência foram solicitados a fazer avaliações de questões relacionadas ao Iraque, num momento em que autoridades de mais alto escalão do governo Bush já tinham repetida e categoricamente divulgado em público suas conclusões”, disse o Senador Rockefeller.

A decisão do comitê de analisar apenas a conduta da CIA, e não também o uso feito por políticos dos dados de inteligência, foi tomada depois de uma longa batalha entre democratas e republicanos.

Os democratas acharam que este relatório conta apenas metade da história e minimiza a pressão que estava sendo exercida sobre a CIA.

O Comitê irá analisar tal questão apenas na preparação de um segundo relatório, que deve ser divulgado neste ano. Muitos democratas acreditam que a divulgação acontecerá apenas depois das eleições presidenciais.

A Casa Branca espera que a CIA se transforme no bode espiatório das falhas de inteligência em relação ao Iraque, desviando a atenção das discussões sobre seu próprio papel e encerrando o assunto.

Os democratas, porém, vão tentar usar o relatório para desgastar a credibilidade do governo Bush.

O presidente tem tido problemas com sua taxa de popularidade nos últimos meses, em meio aos problemas contínuos no Iraque e ao fato de não terem sido encontradas as armas de destruição em massa.

Vulnerável

Defensores da CIA argumentam que o comitê estava procurando culpar o órgão sem entender ps desafios relacionados ao caso do Iraque.

“Há razões, certamente, para um certo grau de criticismo”, disse à BBC Richard Kerr, o responsável pelo inquérito interno na CIA.

“Minha questão é o quanto eles entendem do processo. Eles realmente sabem como uma análise é feita, como a coleta de informações é feita, quais são as limitações? E também as expectativas são muito maiores do que deveriam ser.”

Ele argumenta que, na ausência de informações em contrário que fossem convincentes, teria sido muito difícil julgar que o programa de armas de destruição em massa do Iraque havia sido abandonado.

O relatório deixou a CIA numa posição vulnerável.

O inquérito sobre os ataques de 11 de Setembro, a ser divulgado no final de julho, deve conter ainda mais críticas à atuação do órgão, além do FBI e outros.

A CIA está atualmente sem um diretor permanente, enquanto o presidente George W. Bush reflete sobre um substituto para George Tenet – que fez sua festa de despedida do cargo na noite anterior à divulgação do documento do Senado.

A pressão está crescendo para que seja feita algum tipo de reforma abrangente da comunidade de inteligência, mas, num ano eleitoral, essa não será uma tarefa fácil.

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