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Relatório critica CIA por exagerar ameaça do Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Senado americano divulgou nesta sexta-feira um relatório criticando duramente os serviços de inteligência dos Estados Unidos por terem exagerado informações sobre os riscos que o Iraque representava antes da guerra. O relatório diz que agências como a CIA (Central de Inteligência Americana) ignoraram dúvidas existentes sobre laboratórios móveis de armas biológicas iraquianos, um dos principais elementos apresentados pelo governo de George W. Bush para defender um ataque contra o regime de Saddam Hussein. Apesar de servir como reforço aos argumentos dos que eram contra a guerra, o relatório absolve a administração Bush de acusações de que teria pressionado os analistas da CIA a encontrar evidências que reforçassem a sua tese de que as armas de Saddam eram um risco iminente. No entanto, um dos membros da comissão responsável pelo relatório, um democrata, teria dito que a “pressão era imensa” sobre os analistas. Um ano O Comitê de Inteligência do Senado trabalhou na elaboração do documento por mais de um ano e entrevistou centenas de pessoas, entre elas o diretor da CIA, George Tenet, que deixa o cargo neste domingo. Tenet, aliás, é duramente criticado no relatório por ter desmerecido a validade de informações de outras agências que não a CIA (sob seu comando). E por não ter pessoalmente revisado o discurso do Estado da União de Bush em 2003 – em que o presidente fez referência a tentativas do Iraque de comprar urânio na África, o que se provou falso. O chefe do Comitê, o senador republicado Pat Roberts, afirmou que as conclusões apresentadas pelos serviços de inteligência eram negliglentes e não corroboravam as informações das quais o governo dispunha na época. Segundo ele, a inteligência americana adotou um "pensamento coletivo" que levou os analistas a presumirem que o Iraque tinha programas ativos de armas de destruição em massa e, assim, passaram a interpretar provas ambíguas como se fossem conclusivas". Mas Roberts ressaltou que não só os Estados Unidos cometeram esse erro. "Está claro que esse pensamento coletivo também se estendeu aos nossos aliados, a várias outras nações e à ONU, todos que acreditavam que Saddam Hussein tinha programas de armas ativos." Democratas O documento não entra em detalhes se o presidente Bush exagerou ou não a ameaça de Saddam para justificar a sua ida à guerra – este é o ponto central de outra investigação em Washington, cujos resultados serão revelados após as eleições presidenciais de novembro. O senador democrata Jay Rockefeller, vice-presidente da comissão do Senado que preparou o relatório, disse que seu partido lamenta que este assunto não tenha sido incluído na mesma investigação. "Nós no Congresso não teríamos autorizado aquela guerra. Não teríamos autorizado a guerra com 75 votos se soubéssemos então o que sabemos agora", declarou Rockefeller. O relatório também cita a suposta ligação do Iraque com grupos terroristas e discute se o país representava uma ameaça para a estabilidade no Oriente Médio. A existência de armas de destruição em massa no Iraque foi a principal justificativa dada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para lançar a ofensiva militar sobre o Iraque, no ano passado. No entanto, até agora, investigadores no Iraque anunciaram só ter descoberto planos para o desenvolvimento de armas desse tipo e sinais de que o governo iraquiano estava tentando enganar a comunidade internacional quanto à existência delas, mas não as armas de fato. |
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