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Atualizado às: 29 de junho, 2004 - 01h16 GMT (22h16 Brasília)
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Transformação demorará anos, diz premiê do Iraque
Allawi (centro) durante a cerimônia de transferência de soberania do Iraque
Transferência de soberania ocorreu dois dias antes do anunciado
O primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, disse nesta segunda-feira que o processo de transformação do Iraque em um país com mais liberdade e respeito aos direitos individuais pode demorar anos, e que o Iraque “não esquecerá quem ficou do nosso lado e quem ficou contra nós nesta crise”.

Allawi falou depois de realizada, com dois dias de antecedência, a cerimônia de transferência de soberania em Bagdá, em que a coalizão liderada pelos Estados Unidos entregou oficialmente o poder sobre o país ao governo liderado pelo premiê.

Ele expressou sua visão do futuro Iraque como sendo um país em que todos serão iguais, independentemente de religião, raça ou orientação política, e que todo cidadão terá seus direitos respeitados dentro de uma nação unida.

Os líderes dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, por sua vez, disseram que vão apoiar os esforços do novo governo e continuar combatendo ativistas responsáveis por atos de violência no país.

O presidente americano, George W. Bush, disse que os militares do país vão continuar no Iraque "o quanto for necessário", apesar da transferência de soberania.

“Linha de frente”

"Os iraquianos têm o seu país de volta", afirmou Bush, em declaração na cúpula da Otan, a aliança militar ocidental, em Istambul, na Turquia.

Na mesma ocasião, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmou que o Iraque continua sendo a "linha de frente da guerra contra o terror".

O administrador americano do Iraque, Paul Bremer, deixou o Iraque logo depois da transferência de soberania.

Aparentemente, a passagem de poder foi antecipada para esvaziar possíveis ataques de insurgentes na data marcada para a cerimônia, segundo Jonny Dymond, correspondente da BBC na cidade turca de Istambul, onde a iniciativa foi originalmente anunciada.

Na cerimônia de transferência, Bremer entregou os documentos de soberania para um juiz iraquiano.

Bremer disse que a coalizão liderada pelos Estados Unidos veio liberar o Iraque, "como qualquer um que viu valas comuns deixadas por Saddam Hussein pode atestar".

"Eu deixo o Iraque confiante no futuro e na habilidade do governo de enfrentar os desafios do futuro", disse Bremer.

”Dia histórico”

O presidente do Iraque, Ghazi Al-Yawar, disse que este é "um dia histórico muito ansiado por todos os iraquianos".

Dan Damon, repórter da BBC em Bagdá, disse que a transferência de soberania terá pouco significado para os iraquianos comuns.

Segundo Damon, não está claro como a transferência será encarada por muitos iraquianos, cujo apoio é necessário para derrotar insurgentes.

A iniciativa inesperada de antecipar a passagem de soberania foi revelada pelo ministro do Exterior do Iraque, Hoshyar Zebari, depois de conversas com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Istambul.

Zebari disse aos jornalistas que a transferência de poder havia sido antecipada para saudar o compromisso dos países da Otan de ajudar no treinamento de forças iraquianas que lutam para pôr fim à insurreição no país.

Brasil

O Itamaraty divulgou uma nota na noite desta segunda-feira em que elogia a transferência de soberania no Iraque, dizendo que ela representa um “passo importante no processo de normalização institucional” no país.

A mensagem salienta que o processo deve incluir a realização de eleições democráticas e a formação de um governo constitucionalmente eleito até o final de 2005.

“Como membro do Conselho de Segurança, o Brasil atuou no processo negociador da resolução 1546 orientado pelo objetivo de assegurar o exercício pleno da soberania do povo iraquiano, bem como o fortalecimento do papel das Nações Unidas no processo de normalização institucional do Iraque”, diz a nota do Itamaraty.

“O Brasil expressa a esperança de que o Iraque alcance, o mais breve possível, as condições de segurança e estabilidade que permitam àquele país buscar o bem-estar de sua população e a sua plena participação na Comunidade das Nações.”

A nota não aborda a possibilidade de o Brasil reabrir uma embaixada em Bagdá.

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