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Atualizado às: 14 de junho, 2004 - 23h20 GMT (20h20 Brasília)
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Tráfico de pessoas faz até 800 mil vítimas por ano

Vítimas de exploração sexual
A maioria das vítimas são mulheres e crianças
O Departamento de Estado americano calcula que de 600 mil a 800 mil pessoas por ano sejam vítimas do tráfico internacional de seres humanos.

Segundo o relatório "Tráfico de Pessoas", divulgado nesta segunda-feira, cerca de 70% das vítimas são mulheres e a metade, crianças.

A exploração sexual é o principal motivo por trás do crime, segundo o estudo, mas há também um grande número de pessoas vítimas de outros tipos de exploração como o trabalho escravo que, não necessariamente, chegam a cruzar as fronteiras de seus países de origem.

"Combater o tráfico de seres humanos é uma prioridade do governo Bush e quando vemos os casos degradentes revelados neste relatório não é difícil entender o porquê. Este relatório mostra um grau de atenção nunca antes visto sobre este tema", disse o secretário de Estado americano, Colin Powell.

O Brasil é classificado pelo relatório como um país de "categoria dois", aqueles onde, segundo a visão dos Estados Unidos, níveis mínimos de combate ao tráfico de pessoas ainda não foram atingidos, mas onde as autoridades dão boas mostras de determinação no enfrentamento ao problema.

Sanções

Países que estejam na "categoria três" - onde os americanos não vêem esforços do governo contra o tráfico - ficam sujeitos a sanções dos Estados Unidos, como o cancelamento de financiamentos não ligados à ajuda humanitária ou ao comércio.

Estão nesta categoria Bangladesh, Coréia do Norte, Cuba, Equador, Guiné Equatorial, Guiana, Mianmar (antiga Birmânia), Serra Leoa, Sudão e Venezuela.

Mas o conselheiro do departamento de Estado para o assunto, embaixador John Miller, diz que o tráfico de pessoas é "um problema que atinge todos os países do mundo".

"Relatamos os casos de 140 países porque nesses temos provas de pelo menos 100 casos ligados ao tráfico de seres humanos, mas acredito que nenhuma nação no mundo esteja isenta deste crime", disse o diplomata.

"Temos de pedir muito trabalho aos países de onde saem as vítimas, mas o tráfico de seres humanos também é responsabilidade das nações onde as vítimas são forçadas a trabalharem."

Japão

O Japão é o principal exemplo entre os países receptores que não fizeram, na visão do governo americano, o suficiente para coibir o tráfico de seres humanos.

No ano passado, o Japão foi classificado na "categoria dois" e neste ano, apesar de ter mantido a mesma classificação, entrou em uma lista de vigilância especial.

"Existe no Japão um enorme fosso entre o tamanho do problema e os esforços do governo para enfrentrá-lo", criticou Miller.

Entre os países desenvolvidos, também a Suíça e a Finlândia estão na mesma situação. Segundo os americanos, estes países são pouco cuidadosos na concessão de "vistos para atividades de entretenimento", que acabam sendo usados para acobertar trabalhos sexuais.

Soldados

Um dos problemas mais graves apontados pelo relatório é o recrutamento forçado de crianças para o combate em guerras.

"O problema é mais grave na Ásia e na África, mas também vemos crianças vítimas deste recrutamento forçado em países da América Latina", afirma o relatório.

"Alguma crianças são seqüestradas e forçadas a lutar enquanto outras são convencidas por ameaças, subornos ou falsas promessas de recompensas. A decisão de um criança de se unir a um grupo armado não pode ser nunca considerada voluntária", diz o documento.

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