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Governo iraquiano exige participação em resolução | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os líderes do novo governo interino do Iraque estão pedindo modificações no novo esboço de resolução sobre o Iraque, apresentado na quarta-feira por Estados Unidos e Grã-Bretanha. O ministro do Exterior do Iraque, Hoshyar Zebari, disse em Nova York que ele esperava poder ajudar a formatar a proposta. Os membros do Conselho de Segurança da ONU mostraram algumas ressalvas quanto ao plano dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha e se reúnem nesta quinta-feira para discutir a nova resolução. Mas o secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que o novo governo iraquiano não terá poder de veto sobre as ações das forças lideradas pelos Estados Unidos no Iraque após a transferência de poder, no fim do mês. Contradições Na quarta-feira, Powell disse que o novo governo iraquiano será soberano, mas que as tropas americanas e iraquianas ficarão sob comandos diferentes. As declarações contradizem a posição do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, maior aliado dos Estados Unidos no Iraque, que disse recentemente que operações individuais precisariam do consentimento do governo iraquiano. Segundo o correspondente da BBC em Washington Jon Leyne, as declarações de Powell foram as mais claras dos americanos até agora sobre quem vai controlar as operações militares no Iraque. O novo esboço de resolução sobre o Iraque dá autoridade para a coalizão tomar as medidas consideradas necessárias para garantir a segurança do Iraque. Mas o texto prevê o fim desses poderes após a posse de um governo eleito, em janeiro de 2006. Sinais Paul Reynolds, analista internacional da BBC, disse que o texto está sendo interpretado como se as forças de coalizão fossem sair do Iraque em 2006, mas que será possível que o governo eleito peça que algumas forças fiquem. A mais importante autoridade religiosa do Iraque, o aiatolá Ali Al-Sistani, aprovou com cautela o novo governo do Iraque, e pediu que ele pressione o Conselho de Segurança da ONU para ter total soberania. "O novo governo deveria conseguir uma resolução clara do Conselho de Segurança da ONU sobre a soberania dos iraquianos - uma total e completa soberania nos campos político, econômico, militar e de segurança e um empenho em apagar todos os sinais da ocupação", disse Al-Sistani em declaração. Al-Sistani tem grande influência sobre a maioria xiita do Iraque, e analistas acreditam que sua aprovação seja necessária para dar legitimidade ao governo interino. Conselho Zebari deve se reunir com os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU na tarde desta quinta-feira. "Essa é uma resolução muito importante para nós", disse Zebari. "E definitivamente nós precisamos participar na formatação dessa proposta." Ele disse que foi "muito estranho que uma resolução tão importante tivesse sido discutida em Nova York sem a presença de qualquer representante iraquiano", mas não quis dizer quais as modificações que ele faria na resolução apresentada. John Negroponte, embaixador dos Estados Unidos no Iraque, disse que nenhuma mudança drástica está em andamento, dizendo que o esboço só precisava de alguns ajustes, e que ele estava confidente de que estes seriam feitos em breve. "A soberania será devolvida aos iraquianos e ao governo do Iraque no dia 30 de junho. Não tenho dúvidas quanto a isso", disse ele. A França, a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - disseram que o texto não deixa claro quem irá controlar a segurança do Iraque após a transferência de poder. O presidente da França, Jacques Chirac, afirmou que ainda é preciso trabalhar o texto. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Yuri Fedotov, também disse que tem ressalvas quanto à resolução. O embaixador da China na ONU, Wang Guangya, disse que a restauração da "soberania total não foi completamente refletida" no texto. |
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