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Atualizado às: 02 de junho, 2004 - 17h54 GMT (14h54 Brasília)
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Entenda como será a devolução de poder no Iraque
Soldado iraquiano perto de Fallujah
Governo interino terá controle sobre trocas iraquianas
A coalizão liderada pelos Estados Unidos vai entregar formalmente o poder no Iraque a um governo interino formado por iraquianos.

Mas o que isso significa na prática?

Leia as perguntas e respostas abaixo para entender os principais pontos da devolução de poder:

O que vai acontecer?

O poder será transferido da administração civil provisória instalada pelos americanos para um governo iraquiano interino. A administração civil liderada por Paul Bremer deixa de existir, e ele volta para os Estados Unidos. Formalmente, a ocupação do Iraque terá terminado.

Quem vai fazer parte do governo interino?

O primeiro-ministro será o xiita Iyad Allaw, um médico que vivia exilado do país no tempo de Saddam Hussein.

Também haverá um presidente e dois vices. Eles terão um papel basicamente simbólico mas podem exercer importante influência sobre a opinião pública. O presidente deve ser Ghazi Jawer, um engenheiro-civil sunita que também é um chefe tribal. Seus vices serão Ibrahim Jaafari, lider do partido xiita Dawa, e o curdo Rowsch Shaways.

O governo interino realmente será soberano?

Ele terá poderes muito limitados e não vai ser soberano no sentido mais rigoroso da palavra. Ele não vai poder, por exemplo, fazer qualquer mudança na lei básica. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha reconheceram que eles dificilmente vão poder chamar o governo de soberano se ele não tiver o direito final de pedir a tropas estrangeiras que saiam do país e não tiver algum controle sobre as políticas de segurança iraquianas.

O governo terá controle sobre o dinheiro arrecadado com a venda de petróleo, mas o Orçamento deste ano já foi definido e por isso sua influência será limitada. Uma Embaixada dos Estados Unidos de grande porte vai deter a maior parte do controle sobre o fluxo de ajuda americana.

O novo governo deverá enfrentar um dilema. Ele depende da presença das tropas estrangeiras para garantir a segurança no país e a manutenção de serviços básicos, mas a presença de forças no pais pode manter ou ampliar a onda de ataques violentos que viveu uma escalada nos últimos dias.

Que controle o governo vai ter sobre a segurança no país?

Em tese, o governo interino terá o direito de solicitar a saída de tropas estrangeiras, mas não irá exercê-lo porque os membros do governo apoiaram a presença dos americanos e seus aliados no país.

O governo deve ter a mais importante influência, talvez até poder decisão, sobre as operações das tropas estrangeiras por meio de um Conselho de Segurança Nacional presidido por um iraquiano e que contará com a presença de generais americanos e britânicos.

Os detalhes serão definidos em uma troca de cartas entre a coalizão e o governo interino. Ambas as partes já adiantaram que haverá cooperação e coordenação. Na prática, isso representa que não deverá acontecer uma operação radical de contenção de insurgentes como a que as forças americanas realizaram em Falluja.

O governo interino vai ter o controle sobre a mobilização das forças de segurança iraquianas.

Mas os Estados Unidos já anunciaram planos de manter o controle legal sobre suas tropas no país, após a transferência de poder - para evitar que seus soldados estejam sujeitos aos tribunais iraquianos.

O que acontece com os soldados americanos, britânicos e de outros países

Eles vão permanecer no país formalmente a pedido do governo interino e com a autorização do Conselho de Segurança da ONU, caso uma resolução neste sentido seja aprovada pelo órgão.

A idéia é que elas desempenhem um papel menos proeminente e que as forças de segurança iraquianas tenham uma liderança maior. Mas será a realidade do dia-a-dia que vai determinar se isso de fato vai acontecer. As tropas estrangeiras serão conhecidas como “força multinacional”.

Um acordo estará em vigor a exemplo dos que existem na Bósnia e no Afeganistão que exime as tropas estrangeiras da validade das leis iraquianas.

Os britânicos e os americanos gostariam de uma força em separado da ONU que protegesse os funcionários da organização que vão trabalhar nas futuras eleições iraquianas.

O mandato das tropas estrangeiras vai expirar no final de 2005, quando um governo eleito deve assumir o poder no Iraque. Isso significa que elas devem deixar o país, mas o novo governo pode pedir que algumas permaneçam.

Como a nova resolução da ONU influiu no plano de transferência de poder?

A nova resolução foi aprovada no último dia 8 de junho. Houve muitas negociações sobre os poderes do governo interino, que acabou sendo fortalecido. A resolução deu endosso internacional para o projeto de transferência de poder. Segundo correspondentes, a resolução também tirou parte da pressão sobre o presidente George W. Bush e o primeiro-ministro Tony Blair. Ambos agora podem argumentar que que a ocupação está chegando ao fim e que as tropas que estão permanecendo no Iraque o estão fazendo a pedido do governo interino e estão sujeitas à autoridade da ONU.

Por que o governo será só interino e quanto tempo ele vai durar?

A idéia é que o governo interino apenas administre a situação enquanto sejam organizadas eleições para a Assembléia Nacional em dezembro ou na pior das hipóteses em janeiro do ano que vem. Esta será uma das suas principais tarefas. A comunidade xiita, que é majoritária no país, não queria que ele tivesse poder demais antes das eleições.

O que acontece depois que o governo interino se dissolver?

A Assembléia Nacional a ser eleita em dezembro ou janeiro vai eleger um governo “transitório” que terá um poder legislativo real.

Depois disso, uma nova Constituição será escrita e votada em um referendo no segundo semestre de 2005. Eleições gerais terão lugar no final de 2005 a fim de um governo eleito diretamente assuma o poder no Iraque no começo de 2006.

Membros do novo governo interino do IraqueIraque
ONU recebe nova proposta de resolução sobre soberania.
Ghazi YawerPerfil
Crítico da coalizão americana será presidente do Iraque.
Ghazi Al-YawerAnálise
Escolha de Yawer foi vitória do Conselho de Governo.
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