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Atualizado às: 02 de junho, 2004 - 07h55 GMT (04h55 Brasília)
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Capital do Haiti também tem a sua Cidade de Deus

Favela Cidade de Deus, em Porto Príncipe
Já na entrada, a favela choca pelas condições precárias (Fotos: Paulo Cabral)
Na capital do Haiti, as favelas estão por todos os lados e as mais carentes superam em muito a pobreza vista em grandes cidades do Brasil.

O governo não tem estimativas de quantas pessoas vivem nestas áreas - chamadas de "bairros populares" - muitas delas a pouca distância do palácio presidencial e em geral com nomes bem distantes da realidade, como Bela Vista e Cidade do Sol.

Outra é a "Village de Dieu", a Cidade de Deus. Os próprios moradores imaginam que cerca de 100 mil pessoas morem na área, construída em cima de um mangue aterrado, mas dizem que o governo nunca fez um recenseamento.

"O governo não dá atenção nenhuma para a gente. Falta saúde, falta saneamento, falta eletrecidade, falta luz, falta de tudo", disse Dorvilier Djames, um rapaz de 20 anos, que estudou até o equivalente ao último ano do ensino fundamental brasileiro e é considerado um dos melhores jogadores de futebol da comunidade.

Futebol

"Sou fã do Brasil e dos jogadores brasileiros. Ronaldo, Ronaldinho, Cafu e Roberto Carlos são exemplos para todo mundo porque conseguiram sair de um lugar assim e fazer nome com o futebol", diz Djames.

Favela no Haiti
A sensação entre os moradores é de desamparo

Como muitos garotos na Cidade de Deus brasileira, Djames também sonha em sair da probreza para o estrelato com uma bola nos pés, mas diz que no Haiti isso é impossível.

Ele joga em um dos times amadores que competem no campeonato nacional, mas no país não existe futebol profissional.

"Se eu tivesse uma chance, queria ser jogador profissional e trabalharia muito para conseguir o que todos esses grande jogadores conseguiram. Mas eu teria de ter uma chance de ir para o exterior, para o Brasil ou para a Europa, porque aqui o governo não dá nenhuma atenção para o esporte", reclama.

Esgoto a céu aberto

Djames mora com a família em uma casa simples na "Village de Dieu".

Nas favelas haitianas, a maioria das casas é de alvenaria, mas a infraestrutura pública tem aparência ainda pior do que o da maioria das favelas das grandes cidades brasileiras.

Djames
Djames sonha em ser jogador de futebol

Todo o esgoto corre a céu aberto e, sob temperaturas que chegam facilmente a 40ºC no verão, o cheiro beira o insuportável.

Montes de lixo se acumulam nas esquinas, e carros depenados ou queimados são uma visão comum.

Estrangeiros têm que entrar com muito cuidado nessas áreas - sempre na companhia de um morador local - devido aos altos índices de criminalidade e também porque moram ali muitos que vêem em outros países, em especial os Estados Unidos e a França, grande responsabilidade pelos problemas no Haiti.

Com uma economia incipiente, emprego formal é coisa rara no Haiti e as estimativas mais otimistas calculam que cerca de 60% da população, de cerca de 7 milhões de pessoas, viva na informalidade.

A população é aterrorizada pelos "chimeres", grupos de jovens armados que antes se diziam leais ao ex-presidente Jean Bertrand Aristide e ao partido Família Lavalas, mas que com a queda do governo caíram na criminalidade, utilizando as armas que ainda possuem para dominarem as áreas em que moram.

Desarmamento

Desarmar essas pessoas é um dos principais pontos do mandato da Força de Estabilização da ONU para o Haiti (Minustah, na sigla em francês).

"A ONU diz que o desarmamento faz parte de nossa missão e, havendo armas ilegais nas mãos das pessoas, é isso que temos obrigação de fazer", disse o general Augusto Heleno, o comandante da Minustah.

A intenção é seguir o modelo de um projeto piloto iniciado no Haiti pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no qual os jovens eram convidados a entregar suas armas em troca de ajuda financeira para montar algum negócio e entrar na economia formal.

Dorvilier Djams diz que os exércitos estrangeiros - incluindo o brasileiro - são bem vindos se vierem "ajudar o Haiti."

Na "Village de Dieu", os moradores dizem que precisam de muita ajuda.

A maior questão é se as forças estrangeiras vão ser capazes de dar essa ajuda.

Giscard Dionson, um jovem advgado haitiano que mora na "Village de Dieu", bem ao lado de um canal de esgoto a céu aberto, diz que os haitianos estão esperando muita coisa dos estrangeiros.

"Nossos problemas aqui são muito grandes e precisamos que o mundo nos ajude, mas sabemos que são os haitianos que têm de resolver os problemas do país", disse.

As necessidades não são poucas. "Precisamos de muita mudança. Precisamos de um hospital, de indústria para as pessoas trabalharem e de escolas para as crianças. Queremos que tragam isso para a gente", diz outra moradora da favela, Gerine Oelas.

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