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Atualizado às: 31 de maio, 2004 - 21h48 GMT (18h48 Brasília)
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General brasileiro não descarta 'ações enérgicas' no Haiti

Soldado brasileiro checa sua arma ao desembarcar no Haiti
Soldado brasileiro checa sua arma ao desembarcar no Haiti
O general Augusto Heleno Pereira, que vai comandar a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em francês), chegou nesta segunda-feira ao Haiti confiante nas chances de um bom relacionamento entre as tropas de paz e a população local.

Mas o militar admitiu que deixa aberta a possibilidade de "engajamentos" entre as forças internacionais e haitianos.

"O termo combate para o caso do Haiti me parece exagerado. Pode acontecer uma ou outra manifestação que exceda o nível de normalidade e exija ação mais enérgica. Pode haver um ou outro excesso, e nós temos as nossas regras de engajamento que permitem um ação mais enérgica da tropa de paz em caso de excessos", disse o general.

"Regras de engajamento" é o termo utilizado pelos militares para descrever as condições nas quais uma força armada tem autorização para um enfrentamento direto com um inimigo.

"São regras que permitem exatamente fazer face a acontecimentos que fujam um pouco desta linha de missão de paz total. A gente imagina uma missão de paz porque é para as coisas acontecerem de maneira pacífica. No momento em que haja, por parte de alguém, um excesso, as regras de engajamento dão ao comandante a força de atuar com um pouco mais de energia", explicou.

Antes de ser designado para a missão da ONU, o general Heleno chefiava o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex), em Brasília.

Substituição

Nesta terça-feira, a Minustah subsituiu formalmente a Força Multilateral Interina (MIF, na sigla em inglês) nas operações de paz no Haiti. Mas na prática a MIF vai continuar atuando durante cerca de um mês, enquanto os contingentes da Minustah não chegam ao Haiti.

Até agora, só estão formalmente confirmadas as participações do Brasil (1,2 mil soldados), Argentina (500) e Chile (560). Os pouco mais de 2,2 mil militares já confirmados são muito menos do que os 6,7 mil previstos no mandato da ONU.

"A previsão é de termos tropas também do Paraguai, do Chile, da Bolívia, do Uruguai e do Nepal. Mas em todos estes países o parlamento ainda tem de dar a sua decisão sobre os envios, então não podemos garantir nada antes disso", explicou.

Mesmo que todas essas nações confirmem seus contingentes, o número total ainda vai ficar abaixo do especificado pelo mandato das Nações Unidas, que prevê ainda a presença de cerca de 1,2 mil policiais.

O general Heleno vai ser o comandante da força e toma as principais decisões nas esferas políticas. Mas o comando do dia-a-dia das operações fica nas mãos de um estado maior com 41 militares de diversos países, chefiados por um coronel canadense.

Objetivos

Respondendo em francês a repórteres haitianos, o general disse que o objetivo dos militares é "sair do Haiti ainda mais amigos do que chegamos".

"O que nós queremos é ajudar o Haiti. Conforme determina o mandato da ONU, se houver armas ilegais nas mãos das pessoas, nossa obrigação é desarmá-las para que as pessoas possam ter mais segurança."

O general também afirmou que a missão está à disposição para ajudar os haitianos em operações de ajuda humanitária, especialmente necessárias agora devido às grande enchentes que atingiram o país nas últimas semanas.

"Outro elemento importante na estabilização do Haiti é o econômico. Este país precisa de investimentos porque praticamente não há empregos e sem uma situação econômica mais segura fica muito difícil promover a paz."

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