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Soldados brasileiros começam a montar base no Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os 47 militares brasileiros que chegaram ao Haiti para preparar o terreno para o resto da tropa - serão 1,2 mil homens até o fim junho - colocaram mãos à obra no domingo e começaram a montar a base que deve abrigar os soldados. Já foram descarregadas 35 toneladas de equipamentos e suprimentos transportadas nos aviões Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB). Os recém-chegados vão ter muito trabalho: os galpões ao lado do aeroporto de Porto Príncipe, onde também estão instalações miltares de Chile, Canadá e Estados Unidos, são bem velhos e alguns estão em péssimas condições. Os telefones só devem começar a funcionar na semana que vem e, por enquanto, os militares dependem de 12 celulares comprados na cidade. Com um jogo entre Brasil e Argentina marcado para o Estádio do Mineirão na quarta-feira, ter uma televisão funcionando o mais rápido possível também é uma das prioridades da tropa. "Há alguns galpões que já estamos ocupando, mas outros ainda precisam passar por uma reforma completa", explica o tenente-coronel Antonio Carlos Faillaci, responsável pela comunicação social do grupo. Suprimentos Tanto a comida quanto a água estão sendo trazidas do Brasil. A recomendação do comando da missão é não confiar na água local, e a alimentação dos soldados é o que os militares chamam de "rancho 2" – pratos como picadinho de carne, arroz, feijão e macarrão. "É um cardápio adaptado ao paladar brasileiro e suficientemente nutritivo para o militar estar bem nutrido e cumprir as suas missões", disse o capitão-de-fragata Pedro Moreira, comandante da tropa de fuzileiros navais. Os medicamentos também vêm todos do Brasil. "Temos preocupação principalmente com doenças infecto-contagiosas que podem ser um problema grave aqui no Haiti", disse o tenente-coronel médico Roberto Nogueira "Todos os soldados também estão tomando medicamentos para a prevenção da malária", acrescenta Nogueira. O médico da tropa diz que outra preocupação é a Aids – estima-se que 7% da população do país tenha a doença – e que, por isso, "os soldados são aconselhados a evitar o contato sexual." Mais 150 soldados brasileiros chegam ao Haiti na terça-feira, junto com o general Américo Salvador, comandante da brigada do Brasil. Indefinições Nesta segunda-feira, chega ao Haiti o general Augusto Heleno, comandante da Força de Estabilização da ONU para o Haiti (a Minustah, na sigla em inglês, contará com cerca de 6,5 mil militares, incluindo os 1,2 mil brasileiros). Ainda não foi decidido, no entanto, que países vão compor a missão. Foram confirmados até agora apenas o Brasil, o Chile e a Argentina. Mesmo assim, nesta terça-feira, a Minustah assume formalmente suas funções, substituindo a Força Multilateral Provisória (MIF, na sigla em inglês) – formada por Canadá, Chile, França e Estados Unidos. Na prática, como as novas tropas não estão no país, a MIF ainda vai continuar patrulhando o Haiti durante um período de transição, até o fim do mês. Os brasileiros só iniciam a missão de fato a partir de 20 de junho, quando todo o equipamento, que chegará em quatro navios, tiver sido desembarcado, e a base pronta para receber os militares, que chegam depois de avião. "Nossa função aqui é preparar a base para que, quando o grosso da tropa chegar, possamos iniciar as missões sem nenhuma perda de tempo. Não fazia sentido trazer todo mundo para cá antes dos equipamentos", disse o coronel Fernando Sardenberg, comandante do contingente que já está em Porto Príncipe. |
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