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Lula quer 'politizar' combate à fome no mundo

Lula e o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao
Lula e Wen Jiabao querem novas iniciativas contra a fome
Na abertura da Conferência Mundial sobre o Combate à Pobreza, nesta quarta-feira, em Xangai, na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que esta questão só vai ser resolvida quando a fome se transformar em um problema político.

"Enquanto a fome for um problema social, ela servirá para belas teses acadêmicas e discursos", disse o presidente.

"Não é possível que as vacas em alguns países desenvolvidos recebam mais de US$ 2 em subsídios por dia, enquanto metade da população do globo tem que sobreviver com menos do que essa quantia."

A bandeira do combate à fome vem sendo brandida pelo governo Lula desde seu início, com programas como Fome Zero, que visa atender populações carentes.

Críticos, porém, dizem que o programa é assistencialista e está beneficiando muito menos gente do que o governo havia estimado.

Em conjunto

Lula lembrou ter assinado uma declaração conjunta em Genebra, em janeiro, com os presidentes Jacques Chirac, da França, e Ricardo Lagos, do Chile, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em defesa de um plano de ação para superar a fome e a pobreza.

O grupo vai fazer um apelo conjunto para a criação de mecanismos alternativos de financiamento.

Entre eles estaria a taxação de certas movimentações financeiras dos paraísos fiscais e do comércio de armas e a proposta britânica de criação de um mecanismo de financiamento internacional.

"Não temos o monopólio das boas idéias, nem queremos reinventar a roda", disse Lula. "Queremos meios de levar adiante os compromissos assumidos, mas nunca cumpridos."

Fome na China

A conferência, organizada pelo Banco Mundial, foi aberta nesta quarta-feira em Xangai pelo primeiro-ministro da China, Wen Jiabao.

O premiê disse que, "apesar das conquistas em direção à diminuição da pobreza, a China ainda é um país com uma baixa renda per capita".

"A eliminação da pobreza na China ainda é um árduo desafio, que exige muito trabalho a longo prazo", afirmou Wen.

O premiê chinês disse ainda que seu país ainda tem 30 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

O Banco Mundial afirma que esse número é muito maior. Isso porque a China usa parâmetros diferentes para classificar uma pessoa como pobre.

"Eliminar a pobreza em um país de 1,3 bilhões de pessoas é uma grande contribuição à causa global da redução da pobreza", disse Wen Jiabao, que também anunciou a doação de US$ 30 milhões para o Fundo de Desenvolvimento da Ásia e outros US$ 20 milhões para o Banco de Desenvolvimento Asiático.

O fórum contra a pobreza acaba nesta quinta-feira em Xangai.

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