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Zapatero quer desbloquear acordo UE-Mercosul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, espera negociações complicadas na Cimeira de Chefes de Estado da União Européia, América Latina e Caribe, que será realizada nos próximos dias 28 e 29, em Guadalajara, no México. Zapatero quer contar com o apoio de Lula, a quem chamou de "líder natural da região", e diz que os dois deverão ser os mediadores entre o Mercosul e a União Européia. O novo governo espanhol tem esperança de conseguir o que até agora não foi possível tornar realidade – o acordo de livre comércio entre os dois blocos. O acordo foi bloqueado pelo governo brasileiro depois de doze reuniões por causa do impasse sobre os subsídios à agricultura. Calendário Se não houver um acordo formal, os espanhóis já levam uma segunda opção: a criação de um calendário político com data-limite em outubro de 2004, negociado diretamente entre os ministros de relações exteriores. A viagem ao México será a primeira de Zapatero à América Latina e cumpre a fase inicial do programa de política externa do governo socialista, que chegou ao poder com uma vitória surpreendente nas eleições espanholas de março. Ele disse que seu objetivo é “tirar o país da foto dos Açores e fazer outras bem diferentes”. A frase faz alusão ao encontro de seu antecessor, José María Aznar, com o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico Tony Blair na ilha portuguesa antes da guerra do Iraque. Eixos Zapatero disse que a “virada espetacular na política externa sem criar alvoroço” que pretende promover tem cinco eixos. O primeiro seria a revisão das relações com os Estados Unidos, que não serão mais como as de Aznar com Bush, que eram íntimos aliados. O segundo seria retomar as boas relações com Marrocos (os dois países chegaram a retirar seus embaixadores), e o terceiro, reforçar a aliança na União Européia (por exemplo, desbloqueando as discussões sobre a futura Constituição do bloco). Outro eixo prevê trabalhar no sentido de mediar o conflito do Oriente Médio, e o quinto é a América Latina. O primeiro-ministro espanhol disse que, para o governo anterior, a América Latina havia virado apenas uma questão de cifras. “Não pode ser só isso, uma relação de investimentos”, disse Zapatero. Voz própria Nesta nova fase, segundo ele, a Espanha quer discutir estratégias políticas, sociais, culturais e lingüísticas com os governantes latino-americanos. Na Cimeira de Guadalajara, Zapatero presidirá uma das três mesas de negociação. Um dos temas dessa mesa será a reforma do Conselho de Segurança da ONU. “Nesse encontro vamos enfim com voz própria, não mais como moços de recado”, disse o líder socialista. Zapatero comentou ainda que espera ter uma reunião privada com Lula durante o encontro, se as agendas permitirem. |
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