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Atualizado às: 22 de maio, 2004 - 10h54 GMT (07h54 Brasília)
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Forças israelenses ‘matam palestina de 3 anos’
Mulher em frente a sua casa destruída em Rafah
A ONU estima que 1,6 mil pessoas estejam sem abrigo
Soldados israelenses mataram uma menina palestina de três anos, na cidade de Rafah, neste sábado, segundo médicos e testemunhas.

A família da menina disse que ela levou um tiro na cabeça enquanto caminhava em direção a uma loja próxima à sua casa.

O Exército israelense disse estar investigando a acusação.

Na sexta-feira, as forças de Israel iniciaram a retirada de Rafah, após três dias de violentas operações.

40 mortos

A escala de destruição na cidade, no sul de Gaza, ficou aparente após a retirada das tropas israelenses de dois bairros da região.

Após três dias de incursão israelense, as tropas destruíram casas e ruas. Até o zoológico local está em ruínas.

O correspondente da BBC em Gaza, Alan Johnston, diz que os residentes locais, que estão voltando a sair às ruas, estão furiosos.

Israel diz que a operação, em que pelo menos 40 palestinos morreram, tinha o objetivo de destruir túneis usados por palestinos para contrabandear armas vindas do Egito.

Missão

Fontes do Exército israelense dizem que, apesar de as tropas terem se retirado do local, a procura por túneis ilegais em Gaza deve continuar.

Segundo os residentes, a maioria dos tanques israelenses deixou os bairros de Tel Sultan e Brazil na manhã desta sexta-feira.

Johnston diz que as tropas israelenses ocuparam o norte do bairro Brazil apenas por um dia, mas o que eles fizeram no local será lembrado por muitos anos.

De acordo com o correspondente da BBC, uma plantação de oliveiras e as ruas da região foram devastadas, e todas as árvores foram derrubadas.

Os 80 animais que viviam no único zoológico da Faixa de Gaza escaparam ou foram mortos.

Reações

Nesta sexta-feira, cerca de mil ativistas de paz israelenses protestaram em um posto de controle na Faixa de Gaza contra a ofensiva do Exército israelense em
Rafah.

Os manifestantes carregavam bandeiras pretas com os dizeres "Não aos crimes de guerra" e " Não à ocupação".

Eles pediam que as tropas israelenses deixassem o território definitivamente.

A ofensiva, uma das maiores das últimas décadas na Faixa de Gaza, foi lançada depois que 13 soldados israelenses foram mortos por militantes palestinos em no território na semana passada.

O necrotério de Rafah atingiu a sua capacidade máxima e muitos dos mortos tiveram de ser colocados em refrigeradores em diferentes locais da cidade.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução condenando as mortes e as destruições.

O documento foi aprovado por 14 votos a favor – incluindo o do Brasil – e nenhum contra. Os Estados Unidos, que várias vezes utilizaram seu poder de veto para rejeitar resoluções criticando ações israelenses, decidiram se abster.

Segundo a ONU, as demolições em Rafah deixaram cerca de 1,6 mil pessoas desabrigadas.

Foto: Nadav Neuhaus, da France Reportage Em imagens
Soldados israelenses buscam túneis em Rafah.
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