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Iraquianos analisam resposta a ação contra Chalabi | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Conselho de Governo iraquiano deve se reunir nesta sexta-feira para discutir qual será sua resposta à operação de busca e apreensão na casa de Ahmed Chalabi, um de seus mais destacados integrantes. Na quinta-feira, soldados cercaram a casa e escritórios de Chalabi, um membro do conselho interino de governo, e apreenderam computadores e documentos. Pelo menos um integrante do Conselho – formado por pessoas indicadas pelos Estados Unidos – ameaçou renunciar por causa do incidente. Ex-aliado americano no Iraque, Chalabi, disse que os Estados Unidos tentaram desacreditá-lo com essa operação em sua residência na capital iraquiana, Bagdá. Desculpas O presidente do Conselho de Governo, Ghazi Ajil Al-Yawer, disse que estava "perplexo" com o que aconteceu. Salama Al-Khafaji, um dos representantes xiitas no Conselho, disse à TV Al-Jazeera que pode se demitir se Chalabi não receber um pedido de desculpas. Segundo Chalabi, os americanos se sentiram “desafiados” por sua influência devido a seus pedidos de que soberania plena, e não parcial, seja concedida ao povo iraquiano – assim como controle total sobre as riquezas do país. “Eu sou um amigo dos Estados Unidos”, disse ele à BBC. “Mas eu desafio a coalizão (militar que ocupa o Iraque) porque eles estão agindo contra os interesses iraquianos e contra os interesses americanos, ao impor algo que não é compatível com o Iraque”, disse. Inquérito No ano passado, Chalabi foi um dos primeiros exilados iraquianos a retornar ao país depois que a coalizão liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque. Ele era visto por membros do Pentágono como um possível futuro presidente iraquiano. Ainda em janeiro deste ano, Chalabi foi um dos convidados especiais para o discurso anual do presidente americano, George W. Bush, ao Congresso dos Estados Unidos. Entretanto, Chalabi teve dificuldade em conquistar popularidade e, nos últimos meses, se distanciou cada vez mais dos Estados Unidos ao questionar as atitudes americanas em relação ao seu país. Tem havido críticas em Washington em relação a supostas ligações de Chalabi com representantes de linha dura no Irã, bem como à qualidade das informações de inteligência passadas pelo partido dele, o Congresso Nacional Iraquiano, durante a preparação para invasão do Iraque.
Chalabi disse que as investigações que pediu quanto às alegações de fraude no programa de troca de petróleo por comida da ONU – em vigor no Iraque durante o regime de Saddam Hussein – também o tornaram um alvo da ira americana. O programa permitia aos iraquianos ter acesso a alimentos e outros gêneros de primeira necessidade em uma época em que um embargo internacional estava sendo imposto ao país. A ONU lançou um inquérito independente para investigar possíveis fraudes cometidas dentro do programa, mas Chalabi pediu a uma empresa de contabilidade internacional que também verificasse os fatos. 'Iniciativa iraquiana' Autoridades americanas disseram não ter tido conhecimento da operação em que a casa do membro do Conselho interino de Governo iraquiano foi invadida. “Foi uma batida liderada por iraquianos, resultado de mandados iraquianos”, disse o porta-voz da coalizão, Dan Senor. De acordo com ele, o administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, foi informado sobre a operação “depois do fato”. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse também que iraquianos foram responsáveis pela batida e que ele não recebeu informações sobre ela. Mas Chalabi disse à BBC que tal operação não poderia ter sido efetuada sem o respaldo das autoridades americanas no Iraque. Na terça-feira, o Pentágono anunciou que estava suspendendo a ajuda financeira de US$ 340 mil por mês ao partido de Chalabi, o Congresso Nacional Iraquiano. O vice-secretário de Defesa, Paul Wolfowitz, disse que a decisão “foi tomada à luz do processo de transferência de soberania ao povo iraquiano”. Espanhóis Os últimos soldados espanhóis estão deixando o Iraque, em cumprimento à promessa eleitoral do novo governo da Espanha de retirar as tropas do país. O último contingente de militares deixou a sua base na cidade de Diwaniyah, no sul do Iraque. A Espanha tinha enviado 1,4 mil soldados para fazerem parte da coalizão liderada pelos Estados Unidos. O primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, anunciou a retirada das tropas pouco depois de ter assumido o governo, ainda em meio às conseqüências dos ataques com bombas que mataram 191 pessoas em Madri, em março. |
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