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Retirada britânica do Iraque é mais esperança do que promessa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A “estratégia de saída” mencionada repentinamente nos últimos dias pelo gabinete do primeiro-ministro britânico Tony Blair é provavelmente mais uma esperança do que uma promessa. Uma fonte diplomática sugeriu que a menção ao assunto é mais um resultado de necessidades políticas de Blair do que de um mudança política. De acordo com esta interpretação, os assessores do primeiro-ministro estariam reagindo à pressão de, entre outros, o ex-ministro das Relações Exteriores britânico, Robin Cook, para que uma data ou pelo menos um procedimento seja estabelecido para a retirada das tropas britânicas do Iraque. Cook disse que os soldados deveriam deixar o país uma vez o governo iraquiano eleito esteja no poder, no início de 2005. Mas a alusão a uma possível retirada representa uma mudança no discurso, que previamente insistia que as tropas ficariam no país o tempo que fosse necessário. Mudanças no discurso muitas vezes precedem mudanças na política. Seria esse o primeiro sinal de que o governo britânico está seriamente procurando uma forma de sair do Iraque? Se isso for verdade, parece que a Grã-Bretanha está colocando duas condições. A primeira é a formação de um governo iraquiano eleito. A segunda é o desenvolvimento de robustas forças de segurança locais. Certamente o governo britânico decidiu apresentar a melhor interpretação possível dos planos existentes. “Queríamos assegurar que as pessoas conhecem a estratégia”, disse uma porta-voz de Downing Street. “Ela sempre existiu”. Não se trataria, portanto, de uma nova política, mas um plano que pode ser apresentado como estratégia de saída. O problema, entretanto, é que esse plano é muito vago e no momento depende de treinamento. As únicas forças mais ou menos capacitadas são as forças de segurança iraquianas, ou ICDC, usadas como unidade paramilitar de polícia. Ainda há, claramente, um longo caminho pela frente. E há dúvidas sobre a lealdade de algumas dessas unidades. Muitos membros da força policial passaram para o lado dos revoltosos e algumas das unidades ICDC se recusaram a lutar em Falluja. Com a tendência crescente de os comandantes dos EUA fazerem arranjos locais, como fizeram em Falluja, não está claro se as forças iraquianas serão de fato capazes de assumir o controle. |
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