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Atualizado às: 20 de maio, 2004 - 07h56 GMT (04h56 Brasília)
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Perdidos nas torres

Lucas Mendes
As feridas continuam abertas.

Quase três anos depois dos ataques às torres, a investigação da tragédia provoca choros, gritos e bate-bocas em Nova York.

A mesma comissão “Nove Onze” que esteve em Wahington investigando por que os ataques não puderam ser evitados pelo governo passou dois dias em Nova York investigando como a cidade reagiu aos ataques e que lições aprendeu para o próximo encontro com Osama Bin Laden.

Nova York reagiu com coragem, rapidez, incompetência e a mais elementar falta de comunicação.

Entre outras falhas, o chefe das operações do corpo de bombeiros, Joseph Pfeifer, um homem com um currículo brilhante, apertou o botão errado do rádio.

No documentário dos franceses, o chefe aparece no comando das operações no lobby da torre norte dando ordens ao irmão dele e outros bombeiros para subir até o 70º andar.

O sistema de rádio que ele não conseguiu operar é conhecido como repetidor e, se tivesse funcionado, os bombeiros poderiam ter ouvido quando veio a ordem para evacuar o prédio, logo depois da queda da torre sul.

Nos dois prédios morreram 343 bombeiros, inclusive o irmão de Pfeifer.

A outra falta de comunicação elementar foi com o sistema 911 para emergências.

Nas crises, este é o número fundamental, mas em 11 de setembro, as operadoras não sabiam como responder às chamadas desesperadas vindas das torres.

Muitos foram aconselhados a ficar onde estavam, outros a descer dois andares abaixo do andar em chamas e aguardar novas instruções, e outros a tentar chegar ao teto do prédio.

Todas instruções mortais.

Pfeifer, o chefe do corpo de bombeiros no lobby e as operadoras do 911 sabiam menos sobre a tragédia em curso do que quem estava assistindo pela televisão.

Hoje a cidade tem vários planos de emergência, mas admite que os hospitais não podem lidar com mais de 10 mil feridos ao mesmo tempo.

A polícia e os bombeiros ainda não têm um sistema de rádio que funcione em todas as situações e ainda não ficou claro quem dará as ordens na próxima tragédia.

O novo comando unificado criado pelo prefeito Michael Bloomberg tem dois chefes, um da polícia e outro do corpo de bombeiros, uma das disputas mais antigas e mal resolvidas na história de Nova York.

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