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Acordo limita área de paramilitares na Colômbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo colombiano e o grupo de extrema-direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) assinaram um acordo nesta quarta-feira que prevê a criação de uma zona de concentração para os paramilitares do país. Todos os 14 comandantes da organização estarão reunidos em uma área de 300 quilômetros, localizada no Estado de Córdoba, por um período experimental de seis meses até que seja consolidada uma firme negociação de paz entre o governo e a organização armada ilegal. Confirmado pelo vice-presidente da República, Francisco Santos, o processo contará com o acompanhamento da Organização dos Estados Americanos (OEA) e, no local, os paramilitares não poderão estar armados. Confome o acordo, os paramilitares se comprometem a um cessar-fogo e ao respeito à população civil. Também prometem definir um cronograma de concentração e desmobilização total dos membros das autodefesas do país. O ministro do Interior e Justiça, Sabas Pretelt de la Vega, anunciou que as ordens de captura contra líderes paramilitares serão suspensas. O ministro da Defesa, Jorge Alberto Uribe, classificou o acordo com um ato histórico. "Diante dos olhos da Colômbia e do mundo, o que se pode constatar é a boa-fé das partes", disse. Uribe também garantiu que as forças militares continuarão perseguindo aqueles que "insistirem em fazer a guerra". Massacres No mesmo lugar em que foi assinado o acordo dessa quarta-feira, em Santa Fé de Ralito, no município de Tierra Alta, os paramilitares se comprometeram, em julho do ano passado, a desmobilizar 13 mil integrantes até o final de 2005. Desta vez, para a discussão do novo acordo, outros grupos se juntaram às negociações. Hoje, acredita-se que eles representem cerca de 20 mil homens armados. Segundo Francisco Santos, o alto comissionado para a paz, Luis Camilo Restrepo, divulgaria os detalhes da negociação durante uma entrevista coletiva em Bogotá. Na avaliação do procurador-geral da República, Eduardo Maya, o anúncio da criação da zona de concentração para os paramilitares é um bom começo para o processo de entendimento do grupo com o governo. Maya não acredita que a ausência do fundador e chefe político das AUC, Carlos Castaño, que sofreu um atentado em 16 de abril e tem seu paradeiro desconhecido desde então, possa atrapalhar o processo. Os grupos paramilitares colombianos foram criados no início dos anos 80, com a desculpa de cumprir um papel não desempenhado pelo Estado em zona de forte presença de guerrilheiros. Eles são acusados de cometer massacres nos últimos anos, e muitos líderes são acusados de envolvimento com o narcotráfico. |
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