|
Expulsão é 'mensagem ruim', dizem editores americanos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Editores de importantes jornais americanos criticaram em conversas com a BBC Brasil a decisão do governo brasileiro de cancelar o visto do correpondente do jornal The New York Times no país, Larry Rohter. As opiniões sobre a reportagem escrita por Rohter para a edição do último domingo do jornal - que apontava uma suposta "preocupação nacional" com o consumo de bebidas alcóolicas pelo presidente Lula - foram variadas, mas todos condenaram a "mensagem" enviada pela reação do governo brasileiro. "Discutimos a reportagem de Rohter em nossas reuniões editoriais e concluímos que se tratava de um material com falhas, muito baseado em rumores e em opiniões de comentaristas com identificação partidária", disse Richard Chacan, editor de internacional do jornal Boston Globe, um jornal considerado liberal. "Mas o governo do presidente Lula está completamente errado em tomar uma ação tão exagerada e expulsar Larry Rohter do país. A expulsão de um repórter, em qualquer país, é uma mensagem muito ruim em relação à liberdade de imprensa", disse. Canais Para o jornalista, o governo brasileiro poderia ter usado diversos outros canais para expressar seu desagarado com a reportagem ao invés de simplesmente expulsar o autor.
"O governo poderia ter conversado com o repórter ou com os seus editores em Nova York. Ou então poderia entrar com uma ação na Justiça, como deve acontecer em um Estado democrático." O Boston Globe relatou o cancelamento do visto de Rohter em uma pequena nota no jornal desta quarta-feira e, segundo Chacan, não pretende avançar no assunto. "Ainda temos de discutir isso. Se fizermos mais reportagens sobre isso vai ser em um contexto mais geral, das relações do governo brasileiro com a mídia", disse. O jornal tem um correspondente no Brasil – Paulo Prada – e Chacan disse que esses acontecimentos não vão mudar em nada o estilo de cobertura "honesta e agressiva" da publicação. Prejuízo Para Marjorie Miller, editora de internacional do jornal Los Angeles Times, um jornal também liberal, a atitude do governo brasileiro trouxe mais danos à imagem do país do que a reportagem de Rohter. "Acredito que seja uma atitude legal, porque um país tem direito de conceder ou revogar vistos de quem quiser. Mas acho que foi uma atitude errada do governo que só vai trazer prejuízos à imagem do Brasil." Miller classifica a reportagem de Rohter – que iniciou a polêmica – de "válida". "Li o artigo no próprio domingo e imediatamente tive a impressão de tratar-se de uma reportagem válida", disse. "É um assunto que merece cobertura. Há poucos anos, também havia na imprensa muitas reportagens sobre os hábitos com bebidas de Boris Ieltsin (ex-presidente da Rússia, diversas vezes acusado de exagerar no álcool)." 'Problema sério' Kerry Luft, editor de internacional do jornal Chicago Tribune, publicação considerada conservadora, diz que a expulsão de um correspondente internacional é sempre um "problema sério". "É uma mensagem errada, contra a liberdade de impresa. É irônico que no Brasil isso tenha acontecido 20 anos depois do fim de uma ditadura com um líder, no poder, que foi perseguido pelos militares no passado", disse Luft. O editor disse que o jornal publicou na quarta-feira um texto sobre o assunto e que pretende seguir o tema com reportagens diárias. Luft diz que a reportagem feita por Rohter levanta rumores que um representante do próprio Chicago Tribune no Brasil já havia ouvido. O jornal tem um escritório no país desde 1994, mas agora está mudando para Buenos Aires. "A mudança já havia sido decidida há algum tempo e não tem qualquer relação com esta situação. Acho que o problema com Larry Rohter foi específico e não vai mudar o modo como cobrimos o Brasil", disse Luft. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||