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Bastos evita comentar mérito de decisão sobre 'NYT' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou nesta quarta-feira, em Genebra, que só vai comentar o mérito do cancelamento do visto temporário de Larry Rohter, correspondente do New York Times no Brasil, quando voltar ao país. "Se está certo ou está errado, vou me pronunciar sobre isso depois que voltar ao Brasil", afirmou o ministro. "Com certeza, está dentro da lei." "Essa é uma das alternativas possíveis pela lei de estrangeiros. A lei defere ao governo, à luz de sua conveniência, a possibilidade de cassar o visto temporário sem necessidade de motivar essa cassação", acrescentou Thomaz Bastos. O ministro, no entanto, fez questão de ressaltar que existe a possibilidade de um recurso por parte do jornalista no Judiciário. 'Fuso atrapalhou' Na terça-feira, o Ministério da Justiça anunciou o cancelamento do visto temporário de Rohter. A decisão teria partido da Presidência da República. Segundo alguns relatos, Thomaz Bastos, que estava na Suíça, era contra o cancelamento. O ministro contou que foi informado sobre o fato, mas que não sabe como se deu a formação da decisão do governo. "A diferença de fuso atrapalhou mais ainda", observou. Apesar de não ter atuado diretamente na decisão, Thomaz Bastos disse não se sentir "ultrapassado" e criticou a reportagem publicada no último domingo pelo New York Times. "É uma agressão forte, como nunca vi contra um chefe de Estado e chefe de governo", afirmou o ministro sobre a reportagem, que apontou uma 'preocupação nacional' no Brasil com o consumo de bebidas alcóolicas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Esse ataque está muito distante de ser o exercício do direito de crítica", acrescentou o ministro. "É uma mistura de má-fé, preconceito, falta de informação e de vontade deliberada de difamar o presidente." "Basta ver a carga de preconceito que foi mobilizada ali quando se fala em alcoolismo corrente nos meios sindicais", disse Thomaz Bastos. O governo negou que Lula tenha problemas com o álcool e disse que a reportagem de Rohter foi sem fundamentos, difamatória e um exemplo de mau jornalismo. Em reação às críticas, o New York Times afirmou que o cancelamento do visto de Rohter "levanta sérias dúvidas quanto ao tão falado comprometimento do país com a liberdade de expressão e de imprensa". |
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