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Para árabes, Bush não foi convincente em entrevistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cidadãos de países árabes criticaram a entrevista concedida pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a duas emissoras de TV árabes nesta quarta-feira. Muitos manifestaram decepção com as palavras do presidente, que não pediu desculpas pelos abusos contra iraquianos mostrados em fotos divulgadas nos últimos dias. “Bush não foi sincero nas suas promessas”, disse em Bagdá Ahmed Mohammed, um iraquiano de Tikrit, à agência de notícias France Presse. “Se os americanos fossem sinceros, eles não teriam permitido que tais crimes contra o povo iraquiano tivessem ocorrido.” Outro iraquiano, Sari Mouwaffaq, disse à agência de notícias Associated Press que “as declarações de Bush (...) não vão restaurar a dignidade que os detentos torturados perderam”. Um correspondente da BBC na capital egípcia, Cairo, disse que algumas pessoas disseram que Bush não pareceu revoltado o suficiente nas entrevistas, concedidas às redes Al-Hurra e Al-Arabiya. Indignação No Cairo, o advogado Adli Henri manifestou indignação durante uma das entrevistas de Bush, quando o presidente disse que os abusos foram obra de um pequeno número de pessoas. “É óbvio! Ele quer limitar isso a certas pessoas”, disse ele à Associated Press. Outro advogado ouvido pela mesma agência no Cairo, Abdel Gawad Ahmed, disse que o argumento de Bush é o mesmo que é usado “quando acontece um ato terrorista". Mas nem todos criticaram as palavras do presidente dos Estados Unidos.
“Houve muitos genocídios que foram cometidos e ninguém se atrevia a revelá-los na época (do regime de Saddam Hussein), e agora oficiais do antigo regime não tentam pedir desculpas”, disse Raad Youssef, um professor de Bagdá. “A tentativa de Bush de consertar o estrago é algo bom, na minha opinião.” Centenas de iraquianos realizaram um protesto nesta quarta-feira próximo à prisão de Abu Ghraib, na região de Bagdá. Foi nessa prisão onde teriam ocorridos abusos mostrados nas fotos. Segundo jornalistas convidados a entrar na prisão, os administradores disseram que foram feitas mudanças na forma como ocorrem interrogatórios, para evitar novos maus-tratos. Kerry e verbas Nos Estados Unidos, o provável adversário democrata der Bush nas eleições presidenciais deste ano, John Kerry, também criticou a forma como o mandatário americano regiu à divulgação das fotos de abusos. Segundo Kerry, a resposta de Bush foi lenta e inapropriada, e ele pediu que o presidente assuma plena responsabilidade e peça desculpas pelo ocorrido, se for necessário. Também nesta quarta-feira, o governo americano divulgou ter pedido ao Congresso que libere mais US$ 25 bilhões para financiar atividades militares no Iraque e no Afeganistão. Uma declaração divulgada pela Casa Branca diz que a verba é necessária por causa do aumento das necessidades das tropas americanas em território iraquiano. O pedido quebra uma promessa anterior feita pelo Executivo ao Congresso de que mais verbas não seriam solicitadas antes das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos. Nesta semana, o secretário americano da Defesa, Donald Rumsfeld, anunciou que manterá o atual número de soldados em solo iraquiano – cerca de 135 mil – além do prazo adicional de 90 dias anunciados no mês passado, o que se reflete num aumento de gastos. As operações no Iraque e no Afeganistão já custaram ao contribuinte americano US$ 160 bilhões em verbas extraordinárias. |
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