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Entenda a situação do governo israelense após o referendo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O plano de "desligamento" do primeiro-ministro Ariel Sharon foi rejeitado pelo seu próprio partido, o que cria um impasse político em Israel. A dúvida agora é o que o primeiro-ministro fará e até que ponto ele é abalado pela votação. O plano de Sharon consiste em retirar forças e desmantelar assentamentos judaicos de algumas áreas palestinas. Por outro lado, as propostas também prevêem o aumento da presença israelense na Cisjordânia – uma das razões da oposição palestina. Leia mais, a seguir, sobre o impacto da votação e alguns dos principais pontos do polêmico plano. O que ocorre agora que Sharon perdeu o referendo de seu partido? O primeiro-ministro de Israel disse que não vai renunciar apesar de seu plano de retirada das tropas e assentamentos judaicos da Faixa de Gaza ter sido rejeitado por seu partido, o Likud. Apenas metade dos 193 mil membros do Likud compareceu à votação. O plano do primeiro-ministro deve ser "congelado" no momento. Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém, James Reynolds, Sharon teria duas opções. Uma delas seria antecipar as eleições gerais, e a outra seria aprovar uma legislação que permita um referendo nacional sobre o plano. Mas ambas devem demorar meses para serem efetuadas. Sharon também poderia tentar a aprovação de seu gabinete para continuar com o plano. O referendo foi pensado como uma maneira de forçar ministros linha-dura a apoiar Sharon. Mas com a oposição de seu partido, é improvável que Sharon consiga maioria de seu gabinete. Uma das opções seria tentar rearranjar o gabinete, trazendo o Partido Trabalhista, mas isso poderia causar crise no Likud. O Partido Trabalhista disse que só se unirá ao governo se Sharon for declarado inocente dos casos de corrupção de que está sendo acusado. O que Ariel Sharon propõe? Sharon pretende desmantelar os 21 assentamentos judaicos existentes na Faixa de Gaza e retirar os 7 mil colonos que vivem ali. O Exército recuaria para a fronteira de Gaza, mas as tropas israelenses continuariam realizando incursões no território palestino. Quanto à Cisjordânia, o primeiro-ministro israelense diz que vai manter seis blocos de assentamentos localizados no território. Dos 240 mil colonos judeus que vivem na Cisjordânia, 92 mil estão nesses blocos. Se Jerusalém Oriental for considerada terra palestina ocupada, como querem os palestinos, o número de israelenses vivendo em terras palestinas ocupadas chega a 400 mil. Assentamentos isolados desses blocos, que ficam do lado palestino da barreira de segurança israelense, correm o risco de serem evacuados. Está claro que não há intenção de desmantelar dezenas de assentamentos localizados entre a barreira e as fronteiras anteriores a 1967 (que não incluíam Gaza nem Cisjordânia), a não ser como parte de um acordo político com os palestinos. Sharon diz que o plano é baseado meramente em preocupações com a segurança de Israel. No entanto, os palestinos dizem que o objetivo real é passar por cima de acordos internacionais e estabelecer unilateralmente as fronteiras de um Estado palestino. Por que o primeiro-ministro apresentou a sua proposta apenas agora? A principal razão é a insatisfação da população com mais de três anos de violência. Pesquisas de opinião indicavam uma queda na popularidade do primeiro-ministro, e isso é associado em boa parte à falta de progresso nas negociações de paz com os palestinos. Muitos israelenses acreditam que a ocupação de terras palestinas está prejudicando o Estado judeu; há um grande ressentimento quanto ao alto custo de proteger os assentamentos. Alguns críticos dizem que o plano foi lançado para desviar a atenção pública das acusações de corrupção contra Sharon, que continuam sendo investigadas. Como o plano tem sido recebido fora de Israel? O presidente americano, George W. Bush, qualificou a iniciativa de Sharon como "corajosa e histórica", embora a tenha associado à idéia de um Estado palestino "pacífico, democrático e viável". O primeiro-ministro Tony Blair também disse que o plano pode ser um ponto de partida para se avançar nas negociações de paz, que estão, na prática, paralisadas. No entanto, países árabes e parte da comunidade internacional se opuseram ao plano, considerando que ele atrapalha a busca de uma solução pacífica para o conflito. |
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