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Atualizado às: 01 de maio, 2004 - 13h06 GMT (10h06 Brasília)
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Polônia quer evitar nova Cortina de Ferro na Europa

Mulheres Ucranianas em ritual religioso.
A Polônia quer ajudar a UE a entender melhor seus vizinhos
A Polônia quer evitar a formação de uma nova Cortina de Ferro entre os países que estão entrando na União Européia e as antigas repúblicas soviéticas que ficaram do outro lado, ainda sob forte influência russa.

Seria papel do governo polonês dar à política externa do bloco o que vem se chamando de “dimensão oriental”, de forma a evitar o isolamento desses países – a exemplo da separação que havia entre a Europa comunista e a capitalista no período da Guerra Fria.

“A Polônia sabe mais sobre esses países, entende-os muito melhor e vai tentar ser o seu advogado na UE”, afirma, em sintonia com o discurso do governo, o ex-embaixador polonês na Alemanha e diretor do Centro de Estudos Internacionais de Varsóvia, Janusz Reiter.

Reiter refere-se principalmente a Ucrânia e Belarus (ou Bielo-Rússia). Segundo ele, é interesse da Polônia, não apenas manter os mercados do leste, mas ter vizinhos estáveis – algo valioso para um país que foi destruído pelo seu vizinho do oeste (Alemanha) e oprimido por 50 anos pelo do leste (Rússia).

Problema da UE

Para o ex-diplomata, a União Européia também deveria estar preocupada em manter boas relaçöes com os que ficarão fora do clube, especialmente com os ucranianos.

“A Ucrânia tem o potencial de mudar a Europa, de uma forma positiva ou negativa. A questão é se a Ucrânia vai adotar uma linha pró-ocidental. É interesse europeu não perder a Ucrânia e a Polônia será o país que nunca vai deixar a UE esquecê-la”.

Mas a Polônia também precisou mostrar a Bruxelas que está determinada a ser mais dura com os seus vizinhos do leste. O país resistiu o que pôde, mas acabou adotando controles mais rígidos na sua fronteira – que a partir de hoje separa a União Européia da Belorus, da Ucrânia e da Rússia (Kaliningrado).

Para o historiador polonês Jakub Basista, é possível ser mais rígido no controle de fronteiras e ao mesmo tempo manter boas relações com os vizinhos.

“Depende de como for feito. Fomos bem-sucedidos com a Ucrânia, introduzindo visas gratuitos e fáceis de tirar.”

Os bielo-russos, que também não precisavam de visto, agora pagam 10 euros (cerca de R$ 30) por um visto de única entrada e 50 euros (cerca de R$ 150) para entrar várias vezes – a maior parte dos mais de 3 milhões que vão à Polônia entram no país para comprar e vender produtos.

Para Basista, o governo polonês fez tudo o que podia para facilitar a vida de bielo-russos e ucranianos.

“Mas é claro que não estou muito feliz de saber que vamos parar ucranianos e perguntando se eles são europeus ou não, mas terá que ser assim por algum período ou pode causar problemas para toda a Europa.”

Candidatura

Reiter diz que as boas relações devem se estender ao apoio a uma eventual candidatura da Ucrânia a entrar na UE.

“Por que não devemos considerar a Ucrânia um potencial membro da UE, se estamos quase entrando em negociações com a Turquia?”

E a Rússia? O historiador Basista diz, mesmo não gostando da idéia, Moscou não terá o que fazer.

”Acho que eles perceberam que faz muito mais sentido negociar e fazer comércio com a UE do que impor condições que pudessem criar uma nova Guerra Fria.”

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