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Para Berger, Senna era 'praticamente perfeito' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A morte de Ayrton Senna marcou profundamente o mundo da Fórmula 1, mas talvez poucos tenham sentido tanto quanto o ex-piloto de Fórmula 1 Gerhard Berger, companheiro de equipe de Senna na McLaren nas temporadas de 90, 91 e 92. "Para mim, foi como se o mundo desabasse", revelou o austríaco, para quem o brasileiro "era praticamente perfeito em tudo". "Todo mundo sabe que ele tinha um enorme talento nas pistas, mas acho que isso só era possível por causa da personalidade dele. Por isso Senna era tão especial", disse Berger, que, depois de se aposentar como piloto foi diretor esportivo da BMW, atual fornecedora de motores e sócia da equipe Williams. Segundo o ex-piloto, que substituiu Alain Prost como companheiro de Senna na McLaren, os problemas de relacionamento entre o francês e o brasileiro aconteceram porque Prost não soube dividir a equipe com um piloto "melhor do que ele". Posição delicada "O Alain estava numa posição muito delicada. Na época em que o Ayrton chegou à McLaren, ele era o melhor do mundo. Mas ele percebeu que tinha alguém ali que era melhor do que ele. Para mim foi a mesma coisa, só que escolhi ser amigo do Ayrton, separei as coisas e consegui lidar melhor com a situação e aprender com ele", explicou Berger. Ele conta que, antes de trabalhar com Senna, costumava andar na frente de seus companheiros de equipe. Quando chegou à McLaren, em 1988, o objetivo era o mesmo, mas Berger percebeu que a tarefa ia ser muito mais dura do que o de costume. "Senna errava muito pouco. Eu tentei estudá-lo para ver onde podia ganhar, mas ele era muito completo, quase não havia chance para superá-lo. Ele conseguia extrair o máximo de qualquer carro", relembra. "Em toda minha carreira, sempre senti que podia superar qualquer companheiro de equipe. Não diria que era fácil, mas era possível. Por isso é que não achei que teria problemas ao ir para a McLaren e enfrentar Ayrton. Porque eu pensei que seria mais um. Mas, depois de duas ou três corridas, percebi que ele era especial." "Ele era o melhor. Michael Schumacher talvez seja tão bom quanto ele no aspecto esportivo, mas Senna estava em outro nível porque tinha uma personalidade superior e era a combinação da pessoa com o esportista que fazia dele alguém tão diferente", disse. E continuou: "Acho que, se o Ayrton não tivesse morrido, a gente estaria discutindo a chatice da Fórmula 1 muito antes. Logo depois que eles consertaram os problemas aerodinâmicos do carro na Williams, em 94, eles tinham de longe o melhor equipamento. Se o Ayrton tivesse continuado, teria largado na frente, feito volta mais rápida e vencido todas as corridas. Hoje, acompanhando Schumacher, a gente sabe como isso pode ser chato." Conhecido no mundo da Fórmula 1 por sua descontração, Berger era, além de vizinho e companheiro de equipe, amigo íntimo de Senna. Ele conta que, longe da imprensa, o brasileiro tirava a "máscara" de homem sério e se revelava um brincalhão. "Ele passava a imagem de um cara extremamente dedicado e sério. Dedicado ele era, mas, na intimidade, ele era muito descontraído e a fazia a gente rir bastante. A gente se divertia muito", completou. |
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