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África do Sul tem de adotar modelo brasileiro, diz jurista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o governo da África do Sul praticamente reeleito, o país pode seguir o caminho do Brasil ou se tornar uma espécie de Nigéria, na opinião do professor Andre Thomashausen, diretor do Instituto de Direito Internacional e Comparado da Universidade da África do Sul, em Pretória. "A África do Sul pode escolher um caminho inspirado pelo modelo brasileiro, em que um grande país consegue se movimentar no nível do primeiro mundo, naquilo que é importante: construir aviões e estar à frente da pesquisa científica, embora continue a ter graves problemas sociais, pobreza e muito desenvolvimento a fazer", disse. Thomashausen explicou por que, segundo ele, muitos temem que o país repita a experiência da Nigéria. "Lá existe uma elite fechada, praticamente feudalista, que controla todos os recursos do país. O desenvolvimento continua zero e por isso não há estabilidade para o futuro", afirmou. Segundo Thomashausen, o presidente Thabo Mbeki tem feito todo o possível para seguir um modelo de desenvolvimento essencialmente brasileiro. Livre comércio Para o diretor nacional do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais, Greg Mills, a África do Sul tem no Brasil um importante parceiro. Os dois países e a Índia formaram o G-3, grupo que reúne países em desenvolvimento do hemisfério sul, como um contraponto ao G-8, grupo de países desenvolvidos. De acordo com Mills, para que o bloco tenha sucesso, tem que se concentrar em mais do que retórica política. "Não pode haver apenas visitas presidenciais e fóruns de debate. Tem que haver um aumento nos negócios, nos investimentos e em outras atividades econômicas." "O próximo passo tem que ser o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a África do Sul. E um possível acordo entre as três partes (do G-3), envolvendo a Índia. Esses três países são líderes em suas regiões e têm que se fazer ouvir", disse. 'Partido único' A professora Zélia Campbell, diretora do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da África do Sul, é mais pessimista em relação ao futuro do país. Segundo ela, a África do Sul está se transformando em um país de partido único. "É um fenômeno intrinsecamente africano e essas eleições podem marcar tanto uma virada para a prosperidade quanto a morte da democracia. Porque um partido que tem 70% dos votos e que é totalmente intransigente à mudança e às opiniões dos outros partidos não faz parte de um sistema democrático." "O CNA não é um partido político, é um movimento de libertação", diz ela. O jornalista Steven Lang, que acompanha eleições na África do Sul há dez anos, concorda que ainda falta muito para que o país deixe a sombra do apartheid para trás. Apartheid Segundo ele, em termos políticos a situação está se normalizando, mas o fato de o Congresso Nacional Africano ser visto como o partido da libertação vai continuar a ter peso. "Esta eleição pode ser descrita como uma eleição normal, em que os principais tópicos de debate são o alto nível de desemprego, de criminalidade, e não tópicos de racismo." Mas, segundo Lang, a herança do apartheid ainda vai permanecer por um tempo. "Dificilmente, na minha geração, a África do Sul vai ter um presidente que não seja negro. Mas eu acho que a longo prazo isso pode mudar. A história de racismo na África do Sul continua e vai ter conseqüências por mais uma geração. A situação mudou muito desde 1994, mas ainda há muito caminho pela frente." O presidente Thabo Mbeki deve ser empossado no dia 27 de abril, um dia histórico. Nesta mesma data Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, há dez anos. |
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