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Atualizado às: 14 de abril, 2004 - 08h50 GMT (04h50 Brasília)
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Dez anos depois, apartheid ainda marca eleições na África do Sul

Escola na África do Sul
Governo de Mbeki promete investir em educação se for reeleito
Vinte milhões de eleitores estão registrados para ir às urnas nesta quarta-feira na África do Sul, na terceira eleição no país desde o fim do apartheid (1948-94), há dez anos.

O governo tem sido criticado por causa das altas taxas de desemprego, de criminalidade e de pessoas contaminadas pelo vírus da Aids.

No entanto, para mostrar como o país mudou nesses dez anos, a vice-secretária-geral do partido governista, o Congresso Nacional Africano (CNA), Sankie Mthembi Mahanyele, apresenta números.

"Antes de 1994, não havia estradas, 8 milhões de pessoas não tinham casas e 12 milhões não tinham água. As pessoas não tinham telefone nem eletricidade. Há muito a ser feito e, considerando a herança que recebemos, nós já percorremos um longo caminho."

Segundo Mahanyele, em uma década desde o fim do apartheid, 9 milhões de pessoas tiveram acesso a água encanada e 70% das casas receberam luz elétrica. Ainda de acordo com a vice-secretária do CNA, o governo construiu 1,6 milhão de casas para pessoas que comprovaram renda inferior a 1,5 mil rands mensais (cerca de R$ 750).

Educação pós-apartheid

Mahanyele afirma que, se o partido vencer as eleições, como indicam as pesquisas, o governo do presidente Thabo Mbeki deverá se concentrar na educação. Segundo ela, a política de segregação racial, na qual a população negra freqüentava escolas de qualidade inferior, fez com que a maior parte dos sul-africanos não tenha qualificação.

"Nossas políticas são dirigidas aos mais pobres dos pobres. As outras classes podem cuidar de si mesmas, não precisam do governo, podem melhorar o que estão fazendo por si mesmas."

As pesquisas de intenção de voto indicam que o principal partido de oposição, a Aliança Democrática, de maioria branca, deverá ficar no segundo lugar nas eleições desta quarta-feira, com cerca de 10% dos votos.

O presidente do partido, Joe Seremane, diz o que é preciso para atrair mais votos dos eleitores negros nas próximas eleições.

"Sou parte da comunidade negra. Você tem que mostrar à população negra por que é necessário retirar a conotação racial da política da África do Sul. É um processo que vai tomar tempo fazer as pessoas perceberem que não precisam ficar separadas por causa da cor e que podem fazer política juntas, podem morar juntas, podem fazer tudo juntas."

Seremane diz que, se o seu partido fosse eleito, também combateria o desemprego dando mais qualificação para as pessoas, para poder atrair mais investimentos de empresas internacionais.

No total, 37 partidos se registraram para estas eleições, que vão decidir não só o presidente, mas também líderes de províncias. No sistema eleitoral sul-africano, as pessoas votam no partido e não no candidato.

O presidente do Thabo Mbeki, do CNA, deve ser reeleito com mais de 70% dos votos, de acordo com as pesquisas. O presidente eleito deve tomar posse no dia 27 de abril.

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