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Manobra afasta brancos de eleições, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A participação de eleitores brancos nas eleições gerais sul-africanas, nesta quarta-feira, deve ser menor do que a de eleitores negros graças a uma manobra política do presidente Thabo Mbeki, afirma a analista Mari Harris. De acordo com Harris, diretora da empresa de pesquisas Markinor, Mbeki marcou as eleições deste ano para a semana seguinte à Páscoa, período de férias escolares na África do Sul, por saber que boa parte dos eleitores brancos estaria viajando. "Ele vai ter cerca de 70% dos votos. Não precisaria ter feito isso, mas fez mesmo assim", disse a analista. Segundo pesquisa da Markinor, 80% dos eleitores negros devem votar. Já entre os brancos, o comparecimento às urnas deve ser menor, de cerca de 60%, de acordo com a empresa. "Os brancos que afirmaram que vão votar dizem que é seu dever, mesmo sabendo que seu candidato vai perder", afirma Mari Harris. Apatia O Comitê Eleitoral Independente da África do Sul diz esperar que 99% dos 20,6 milhões de eleitores registrados para votar compareçam às urnas nesta quarta-feira. Será a terceira vez que o país realiza eleições gerais desde o fim do apartheid. A votação coincide com as comemorações pelos dez anos do fim do regime de segregação racial que vigorou no país até 1994. Na prática, as eleições já começaram na segunda-feira, com urnas especiais sendo levadas a hospitais, asilos e outros lugares onde há pessoas com dificuldades de locomoção. As seções eleitorais vão ser abertas às 7h e fechadas às 21h. A contagem dos votos começa logo em seguida e, nas principais cidades, o resultado deve ser conhecido já na manhã seguinte. "É difícil que pessoas que passaram por tantas dificuldades para se registrar simplesmente decidam não comparecer", disse a chefe da comitê eleitoral, Brigalia Bam, em entrevista coletiva. A analista Mari Harris, no entanto, afirma que há uma grande apatia, especialmente entre os eleitores jovens. "Eles eram crianças quando o apartheid acabou. Como não passaram pelos piores momentos do país, simplesmente não têm interesse em política", disse Harris, ressaltando que essa apatia entre os jovens é uma tendência mundial. Dia histórico Com a nova data das eleições, a posse do presidente será no dia 27 de abril, um dia considerado histórico. Foi nessa data que Nelson Mandela foi eleito há dez anos e se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul. A única preocupação do comitê eleitoral é com a possibilidade de chover, apesar do bom tempo em todo o país nos últimos dias. Se chover e os eleitores tiverem dificuldades de chegar às seções eleitorais, o comitê afirmou que o período de votação pode ser estendido. Como a África do Sul já é considerada uma democracia consolidada, desta vez há poucos observadores internacionais no país. A maioria deles vem de países vizinhos, interessados em aprender mais sobre o processo eleitoral. |
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