|
A Semana: os horrores da guerra no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As imagens não chegaram a ser exibidas na íntegra nos quatro cantos do planeta, já que foram consideradas chocantes demais por muitos canais de TV. Mas os fatos ocorridos na última quarta-feira na cidade de Fallujah, no Iraque, por si só foram suficientes para lembrar o mundo do horror do conflito naquele país. Um ano depois da guerra contra o regime de Saddam Hussein, a violência faz parte do cotidiano iraquiano, das formas mais brutais. Quatro ocidentais tiveram seus carros atacados por rebeldes na principal cidade do chamado Triângulo Sunita, região de onde vem a família de Saddam Hussein e onde ainda existe grande apoio ao ex-líder iraquiano. Depois de vários tiros contra os veículos, os corpos dos ocupantes foram retirados e arrastados pela rua. Uma multidão se reuniu em torno dos carros, que foram incendiados. Aparentemente, a cena foi dominada por moradores, que terminaram o serviço iniciado pelo grupo de insurgentes. Os corpos foram então queimados, mutilados e, finalmente, pendurados em uma ponte próxima do local. Muitos dos presentes, entre eles garotos, festejaram a bárbara cena, talvez tomados pelo desejo de vingança por mortes provocadas por soldados americanos desde o início da ocupação. Afinal, segundo repórteres que acompanham de perto o conflito, grande parte dos moradores de Fallujah é parente ou conhece alguém que foi morto ou ferido nos últimos 12 meses em ações de militares americanos. Os novos acontecimentos levam a um novo questionamento a respeito da capacidade dos Estados Unidos de entregar o comando do país a um regime iraquiano até o final de junho, como prometido. Diante do grau de violência da última quarta-feira, quando cinco soldados americanos também foram mortos próximo a Bagdá, analistas voltam a duvidar da capacidade das tropas americanas de conter os ataques de rebeldes no Iraque. O presidente americano, George W. Bush, aposta na entrega do poder a uma entidade iraquiana que represente xiitas, sunitas e curdos para evitar um fracasso nas eleições de novembro para a Casa Branca. Mas a promessa do administrador Paul Bremer, de que os responsáveis pela violência de Fallujah serão punidos, parece difícil de ser cumprida, considerando que até crianças apareceram festejando a mutilação dos corpos. Diante da missão quase impossível de identificar e punir os responsáveis pela matança de quarta-feira, o governo americano deve tentar de tudo para que pelo menos uma matança semelhante não se repita. Boa notícia para Bush Mas o presidente George W. Bush tem algo a comemorar. Numa semana marcada pela violenta morte dos americanos no Iraque, pelo menos a economia dos Estados Unidos deu novos sinais de recuperação. Dados sobre desemprego divulgados na sexta-feira mostram que a economia americana criou 308 mil novas vagas em março, o melhor resultado dos últimos quatro anos. As expectativas do mercado eram cerca de três vezes menor: entre 108 mil e 120 mil vagas. Pode ser um sinal de que Bush chegará às eleições de novembro com um quadro econômico mais favorável para que ele possa convencer os eleitores a lhe darem mais quatro anos na Casa Branca. É esperar para ver. Prisões pela Europa Na semana passada, líderes da União Européia reunidos em Bruxelas prometeram uma maior cooperação entre os países para prevenir possíveis futuros atentados a bomba, como os de Madri. Nesta semana, aparentemente essa colaboração já teve resultados. Num dia de ações da polícia de vários países, 41 pessoas foram presas na quinta-feira, suspeitas de envolvimento em ações consideradas terroristas. Na terça-feira, a polícia britânica prendeu oito outros suspeitos, a maioria cidadãos do próprio país, de origem paquistanesa. Com eles, teria sido encontrada uma quantidade considerável de fertilizantes que poderiam ser usados na fabricação de bombas. Ainda não se sabe até que pontos os suspeitos têm mesmo envolvimento na fabricação de bombas ou não. Até porque vários outras pessoas presas nas mesmas condições nos últimos dois anos foram libertadas sem ser acusadas formalmente de nada. Como mais uma mostra dos motivos para tanta preocupação das autoridades, na sexta-feira uma bomba foi encontrada numa linha de trem entre Madri e Sevilha, na Espanha. Ex-comunistas na Otan A Guerra Fria já parece uma coisa do tempo das nossas bisavós. Durante a cerimônia de entrada de sete novos países na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), na sexta-feira, era preciso um esforço para se lembrar que pouco mais de uma década atrás todos eles pertenciam ao bloco comunista da Europa. Não apenas isso: naquele tempo, três deles, Estônia, Letônia e Lituânia, faziam parte da União Soviética.
Cidadãos desses países com mais de 60 anos de idade lembram-se de ter sido governados por Josef Stálin e hoje festejam a entrada na Otan. Como se não bastasse, aguardam ansiosamente o 1º de maio, quando se tornarão parte da União Européia. Com o fim da Guerra Fria, a Otan, agora com 26 países-membros, ficou sem inimigos claros. Em uma ação conjunta, expulsou as forças de Slobodam Milosevic de Kosovo, em 1999, mas diante da guerra do ano passado no Iraque ficou dividida. Sem o Pacto de Varsóvia para combater, a aliança militar ocidental agora discute qual deve ser o seu futuro. Membros não lhe faltam, mas os inimigos não são tão óbvios como nos tempos da Guerra Fria. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||