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Veto dos EUA é 'licença para matar', dizem palestinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes árabes reagiram com veemência ao veto dos Estados Unidos à resolução do Conselho de Segurança censurando Israel pelo assassinato do líder do Hamas, xeque Ahmed Yassin. Os palestinos acusaram os Estados Unidos de dar a Israel uma "licença para matar" ao vetarem a resolução. O negociador palestino, Saeb Erekat, disse que teme que o veto sirva para encorajar Israel a continuar no que ele tachou de "caminho da violência e assassinatos". A resolução foi apresentada pela Argélia. O embaixador argelino na ONU, Abdallah Baali, disse acreditar que o Conselho de Segurança "não está enviando a mensagem certa para o mundo, que unanimemente condenou esse crime". O Egito também reagiu com "contrariedade". Representantes do país afirmaram que os americanos não levaram em consideração o sentimento de "raiva" sentido em países árabes e muçulmanos. Justificativa Onze membros aprovaram a resolução, dois a mais do que o necessário para que ela fosse aprovada, mas os Estados Unidos usaram o poder de veto, exclusivo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Os Estados Unidos justificaram o veto, afirmando que a resolução não classificava o Hamas como um "grupo terrorista". De acordo com o documento apresentado a condenação seria à "mais recente execução extrajudicial cometida por Israel". Os países árabes estão se preparando para um encontro em Túnis, na segunda-feira, e as discussões vão incluir o plano do presidente George W. Bush de promover mais democracia na região.
Críticas As críticas ao veto não vieram só de países árabes. A Rússia, outro membro permanente do Conselho, também criticou a decisão americana. "Lamentamos o fracasso em conseguir o consenso no Conselho de Segurança da ONU, em conexão com a perigosa erupção de violência no Oriente Médio", disse o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Yuri Fedotov, à agência de notícias russa Interfax. A União Européia se manifestou através de um comunicado divulgado na reunião de líderes em Bruxelas. O texto afirma que o conflito entre israelenses e palestinos ficou pior com o assassinato do xeque Yassin. O bloco também afirma que não vai reconhecer nenhuma mudança unilateral das fronteiras israelenses. A Indonésia, que é o país com a maior população muçulmana do mundo, disse que o Conselho de Segurança "fracassou em assumir suas responsabilidades em assuntos de segurança". Condenações A política israelense de "assassinatos seletivos" que justificou o ataque que matou o xeque Yassin foi condenada por vários países. Israel defendeu a ação acusando o xeque de ser o mandante de operações terroristas. O embaixador americano junto à ONU, John Negroponte, disse que a proposta de resolução "era muda com relação a atrocidades terroristas cometidas pelo Hamas". A resolução pode ser levada agora à Assembléia Geral da ONU, para ser votada entre os 191 membros da organização, onde não há poder de veto. Mas a contrário de resoluções aprovadas pelo Conselho, as aprovadas pela Assembléia Geral não têm força de lei internacional. |
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