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Governo é derrotado nas eleições espanholas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Partido Popular, do atual primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar, sofreu uma derrota inesperada nas eleições gerais do país. O pleito aconteceu horas depois de o governo ter revelado a existência de uma fita de vídeo na qual um suposto integrante da Al-Qaeda afirma que a organização foi responsável pelos ataques de quinta-feira que deixaram 200 mortos. O candidato do Partido Socialista, José Luis Rodrigues Zapatero, deverá agora se tornar o novo primeiro-ministro espanhol, acabando com oito anos de governo conservador. "A minha prioridade será lutar contra todas as formas de terrorismo", disse Zapatero. A vitória de Zapatero era considerada – até quinta-feira passada – pouco provável. Mas os socialistas conseguiram 42% dos votos, e o Partido Popular obteve 38%, segundo os resultados oficiais. Cerca de 77% dos eleitores compareceram às urnas – um número bem maior do que o esperado. Analistas acreditam que muitas pessoas decidiram votar neste domingo para desafiar os responsáveis pelos ataques de quinta-feira. Um correspondente da BBC em Madri diz que a forma como o governo lidou com a situação logo depois dos atentados – acusando o grupo separatista basco Eta – pode ter lhe custado as eleições. "Foi a primeira vez que eu votei. Eu estou muito feliz porque o governo tinha que mudar.....por causa da guerra no Iraque", disse um estudante de direito espanhol à BBC. Investigações As investigações sobre os autores dos ataques continuam.
Inicialmente o governo afirmava que o ETA era o responsável pelas bombas, mas foi forçado a admitir que a A-Qaeda é suspeita, afirma o correspondente da BBC em Madri. A fira na qual um homem que se identifica como o porta-voz militar da Al-Qaeda na Europa afirma que a organização foi responsável pelos ataques fez com que o governo mudasse a sua posição. O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, disse que serviços de inteligência europeus foram incapazes de identificar o homem, cujo nome seria Abu Dujan al-Afgani. A ministra do Exterior espanhola disse à BBC que o grupo separatista basco Eta ainda é um grande suspeito e afirmou que a polícia não descarta a possibilidade de uma colaboração entre o grupo e a Al-Qaeda. Três marroquinos e dois indianos foram detidos no sábado em conexão com os ataques. O governo alemão pediu uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Européia para discutir a situação. Luto Laços negros foram colocados nas urnas e podiam ser vistos nas lapelas dos eleitores. A maioria dos eleitores que votaram perto das estações de trem aonde aconteceram os ataques pararam para olhar as velas e flores colocadas em homenagem às vítimas. Cayetano Abad, um dos 1,5 mil feridos nos ataques de quinta-feira, foi levado ao posto de votação por uma ambulância. "Vim para mostrar que a vida continua, que não podemos ficar pararados," disse. A votação ocorreu em um clima tenso, em que os eleitores tinham que decidir que partido vai dirigir o país após os ataques. Discussões na rua, nos cafés, nas bancas de jornal e até nos postos de votação se repetiam. Em alguns casos foi necessário chamar a polícia para conter os ânimos. Alguns eleitores disseram que ficaram acordados durante toda a noite, na esperança de obter informações que os ajudasse a decidir em que partido votar. O primeiro-ministro Jose Maria Aznar e sua esposa receberam aplausos e vaias ao chegarem ao centro de Madri para votar. Quando tentou se dirigir aos correligionários, Aznar foi impedido pela multidão que gritava "manipuladores", "mentirosos" e "paz". O governo espanhol apoiou a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos apesar de as pesquisas de opinião terem mostrado que 90% da população se opunha à decisão. |
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