|
Para Zhirinovsky, Putin é um paliativo para a Rússia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ele já foi candidato à Presidência da Rússia, com uma plataforma patriótica que clamava por um país forte, louvava o passado militar russo e apresentava uma política migratória considerada xenófoba. Em 93, causou apreensão quando seu partido ficou em primeiro lugar nas eleições parlamentares. Atualmente, Vladimir Zhirinovsky, que é deputado do Parlamento russo e presidente do Partido Liberal Democrata, é mais conhecido por suas posições excêntricas e por suas frases de efeito. Na opinião dele, a Rússia com Putin está em melhor situação do que nos anos de Boris Yeltsin, mas afirma que Putin atuou como mero paliativo. ‘‘Com Yeltsin o termômetro marcou que a Rússia estava com 39 graus de febre. Com Putin, a temperatura baixou um pouco (...). Mas a população quer que o país volte à temperatura normal", disse ele em entrevista à BBC Brasil, concedida no Parlamento russo. Iraque Zhirinovsky é encarado hoje mais como uma figura folclórica do que como uma liderança política representativa. Ainda mais após ter decidido que não participaria da eleição presidencial, apoiando na disputa Oleg Malyshkin, seu ex-guarda-costas que é de seu partido. ‘‘Só entraria na disputa para vencer. Mas estarei de volta em 2008. O outro que vier no lugar de Putin, quem quer que seja, será muito mais fraco do que ele e irá perder. A maior prova dessa fraqueza são os nomes do novo gabinete russo, que não terá sucesso’’, afirmou. O líder ultra-nacionalista acredita, por exemplo, que a Rússia deveria ter participado da operação militar no Iraque. ‘‘Os iraquianos gostam dos russos, mas não dos americanos. Se integrássemos as forças de ocupação, não estaríamos sofrendo baixas como eles. No Afeganistão, eles estão com saudades dos russos, depois da chegada dos americanos.’’ No entender do político, a participação no conflito iraquiano seria também uma forma de receber o pagamento da dívida petrolífera do Iraque com a Rússia e de seguir explorando petróleo no país. 'Estarei de volta' Zhirinovsky ganhou fama por posições inusitadas, como a de defender publicamente o ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, com quem se encontrou várias vezes, e por defender plataformas como a redução dos preços de bebidas alcoólicas, anunciar que pretendia anexar o Alasca. Outra cena marcante foi quando ele atirou um copo de suco no rosto do político liberal Boris Nyemtsov durante um debate na TV. No entender de Zhirinovsky, a Rússia deve se voltar para seus antigos aliados da era soviética, as repúblicas da Ásia Central e os países do Báltico. ‘‘Somos um país rico. Não temos nada a ganhar com o dinheiro deles. Na verdade, os investimentos deles visam o lucro dos ocidentais. Eles não querem nos ajudar’’, afirma. No entender dele, os países que pertenceram ao bloco comunista e que agora estão ingressando na União Européia ‘‘sentirão saudades da União Soviética quando perceberem que são os mais pobres da Europa’’. Para Zhirinovsky, o conflito na Chechênia precisa ser resolvido na base da força. ‘‘Na Chechênia, existem atividades criminais regulares. O Exército precisa agir na eliminação de elementos criminosos para dar segurança à Rússia’’. Em meio a tantas posições e afirmações polêmicas, o líder nacionalista se defende de ao menos uma delas. A frase a ele atribuída de que ‘‘para que os russos sejam felizes, basta dar a cada homem uma garrafa de vodca e a cada mulher, um homem’’. ‘‘Isso foi uma distorção dos jornalistas, no que se refere às mulheres. Eu queria dizer que busco a felicidade para todas elas.’’ Zhirinovsky encerrou a entrevista perguntando à sua assessora se havia entregue à reportagem da BBC Brasil a fita de vídeo na qual ele interpreta canções populares russas e fechando a porta de seu escritório que traz a inscrição: ‘‘Aqui estão mãos limpas e um coração aberto’’. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||