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Putin deve ceder poder gradualmente em 2º mandato, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente russo, Vladimir Putin, deve abrir mão de seus superpoderes de maneira gradual durante o seu provável segundo mandato. É essa a opinião de Alexei Bogaturov, professor de Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais de Moscou e do Brookings Institution, que, assim como praticamente todos os outros analistas, acredita ser impossível que o atual presidente não conquiste um segundo mandato nas eleições do próximo domingo. "A superpresidência que Putin exerce hoje em dia é um fardo pesado demais, tanto para ele como para a Rússia", afirma Bogaturov. "Ele está enfrentando um desafio pessoal muito forte." No entender de Bogaturov, as polarizações na Rússia a partir do segundo mandato de Putin tendem a se intensificar e a superpresidência exercida atualmente não poderia garantir a manutenção do atual sistema por muito tempo. Segundo Bogaturov, de um lado, os liberais estão assustados com episódios como a prisão de Mikhail Khodorkovsky, o ex-presidente da petrolífera Yukos. "Eles dizem que o presidente não é liberal o bastante, o que é verdade", afirma. Por outro lado, comenta Bogaturov, Putin enfrenta a pressão dos vários ex-integrantes de órgãos de segurança, como a KGB e sua sucessora, a FSB – que ocupam cargos em seu governo. "As silóvkii (nome pelo qual são conhecidas as forças de segurança) não consideram Putin radical o suficiente e chegam muitas vezes a chantageá-lo neste ou naquele sentido", diz o analista. Duma Diante desse quadro, Bogaturov crê que Putin começará a designar aos poucos mais poderes à Duma, o Parlamento russo. "O sistema atual parlamentar é corrupto e ineficiente. Para reformar esse modelo, ele terá de mudar a Constituição, algo que o presidente já disse que não faria. Mas quatro anos é um período longo o bastante para se mudar de idéia." O analista diz acreditar, no entanto, que o presidente russo não investirá na criação de um modelo parlamentarista nos moldes europeus, mas sim em um quadro no qual o presidente terá menos poderes. Na opinião de Bogaturov, Putin pretenderia investir na criação de um modelo político bipartidário, que passaria a funcionar no mandato de seu sucessor. "Ele não pensa em restauração do socialismo, talvez queira criar um partido social democrata nos moldes europeus, com uma oposição de outra tendência política. Quatro anos é o bastante para construir esse sistema bipartidário." Plano para o próximo O analista russo, no entanto, não acredita que Putin colocará em prática imediatamente esse modelo mais democrático. "Isso ele não faria, até porque, mesmo imensamente popular, ele ainda não se sente totalmente seguro. Por isso, Putin quis destruir Khodorkovsky e destituiu seu primeiro-ministro às vésperas da eleição que todos sabem que ele vencerá." Pela Constituição russa, Putin não poderá exercer um terceiro mandato presidencial. "Nada impede, portanto, que ele queira enfraquecer seu sucessor." No entender do analista, o superpresidente Putin entregará para seu sucessor uma presidência com poderes bem mais limitados dos que a que ele exerceu. |
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